Por que a Alemanha?

sábado, 15 de dezembro de 2012

Seerig é um sobrenome alemão, ou seja, tenho descendência germânica, mas não, não aprendi a língua em casa e muito menos tinha contato com a cultura. Meus bisavós, quando vieram pro Brasil (os únicos Seerig a virem pra cá - ou seja, qualquer Seerig desse país, em algum ponto da árvore genealógica é meu parente), se instalaram em Santa Maria, centro do Rio Grande do Sul. Meu vô, mais velho dos filhos, permaneceu lá por muitos anos, mas teve que se mudar para Caxias em função de problemas de saúde (Santa Maria é um infernos abafado) quando meu pai tinha uns 5 anos. Aliás, nem meu pai, nem os primos dele aprenderam alemão. Por quê? Porque meu avô e seus irmãos sofreram muito durante a segunda guerra, já que não se podia falar alemão e italiano e, como minha bisa só falava alemão, tiveram que escondê-la.

Em resumo: além do sobrenome, nada mais me liga, realmente, às origens germânicas. Sem falar que a mãe do meu pai era uma baita italiana (e ele também não aprendeu italiano) e que as descendências da minha mãe são meio incertas (há quem diga que tem espanhóis, índios e até alemães no histórico genético, mas são só suspeitas). Então, por que diabos ter entre os sonhos infantis aprender alemão (até meu colega de curso de alemão achou essa história bizarra)? Não faço ideia. Acho que meu pai sempre foi mais apegado à origem alemã e eu, sempre agarrada ao meu pai, peguei isso dele. Mas isso é suspeita, não certeza.

Fiz o curso de inglês por fria chantagem da minha mãe ("ou o curso de inglês ou tu dá tchau pro teu abrigo do Grêmio") e depois corri pro alemão. Na última terça, finalizei os quatro anos básicos. Ano que vem, na Alemanha, pretendo fazer um nível avançado, mas, antes da viagem, não ia além dos quatro anos, a menos que a turma continuasse (é aquela história, tem que ter um mínimo de pessoas pra abrir a turma).

Apesar de todo mundo, ou ao menos a maioria, ver essa viagem como a realização do meu maior sonho, nunca foi minha meta ir realmente pra Alemanha e me instalar por lá. Sim, sempre tive um surto pela Alemanha (especialmente futebolístico), mas era algo tipo um amor platônico, nunca pensei: "Não vou sossegar enquanto não atravessar o Atlântico", eu via tudo apenas como uma possibilidade. 

A UCS, onde estudo, organiza intercâmbios para quem tem 50% do curso concluído. Confesso que, no início do ano, até pensei: "Vou pegar mais disciplinas e, quem sabe, no segundo semestre do ano que vem consigo fazer um intercâmbio". Passei um tempo com essa ideia, mas depois, alguns desses problemas que nunca estão sob nosso controle, me fizeram desistir de vez. Isso era um plano pessoal meu, não comentei com ninguém (a velha mania de não colocar muita expectativa), então não houve quem reclamasse da minha opção em pôr uma pedra em cima disso. 

Tudo morto e enterrado, surgiu o tal convite pra viagem como au pair. Depois de exitar, acabei aceitando e, como diria Carlos Carneiro, "tá dando no que tá dando". O principal ainda é ver no que dará. Alguém me pediu se havia possibilidade de eu desistir, até eu me surpreendi com a rapidez e a clareza do "não". Ao que parece, eu tinha mesmo que me mandar pro outro lado do Atlântico, vamos ver o que encontrarei por lá. 

Bis bald!

Ah, e quem quiser saber um pouquinho mais sobre a minha viagem (como surgiu, como foi a organização, como será por lá) pode ler AQUI. Quem quiser saber mais do projeto de au pair,  também leia AQUI.

3 comentários:

Buffon disse...

FORZA ITALY!

Malú Oliveira disse...

Super normal não termos o controle total das coisas, mas isso às vezes nos leva a caminhos bem interessantes. Este é o seu caso! E aqui onde eu moro (Porto Real) é a primeira colônia italiana do Brasil. Quando eu estava pesquisando um pouco sobre as raízes daqui me deparei também com o fato da língua não ter sido passada pelos pais para seus filhos pelo mesmo motivo que tiveram que esconder sua bisa... uma pena!

Beijos!

Ana Carolina Lima Da Rosa disse...

Agora você falando da sua origem alemã, lembrei de uma outra historia que os meus sobrinhos, a avô deles é de origem italiana os (Cioccari)e que estão a procura da arvore genealógica. Bem a sua fanatismo de futebolismo está entendida, da onde vem a sua paixão pelos times do RS, e mesmo sem conhecer a língua, acho que essa proposta será boa para ampliar, seus conhecimentos, historias, enfim (...) e está se aproximando!!