Duas semanas

sábado, 19 de janeiro de 2013

Ontem fecharam duas semanas que estou aqui e nas últimas 48 horas aconteceram muitas coisas. Some a podridão de uma semana com sono sobrando à um dia de andanças e imagine quão exausta estou. Mas se não escrever agora, metade da emoção se perde. Então vamos lá. 

Ah, antes uma observação: na quarta telefonei pra minha mãe (com a qual eu não falava desde a minha chegada) e fiquei sabendo que ela sabe de tudo que está se passando por aqui já que amigas dela leem e contam pra ela depois. Ou seja, vou ter que começar a me comportar no blog. Brincadeiras à parte, acabei por concluir que tem um bocado de pessoas que leem o que escrevo e não se pronunciam. Peço um negócio: se pronunciem! Se não for via comentário aqui, que seja via e-mail, via facebook, via twitter. É legal saber quem está se prestando a ler minhas tagarelices, do mesmo modo que ficarei feliz em sanar uma curiosidade que porventura alguém tenha.

Bom, nos últimos dias acertei minha ida a Berlin. Ficarei na casa de um Seerig de lá (que, ao que tudo indica, é um primo distante) durante uma semana em Fevereiro, quando a família viaja para a França durante o feriado de carnaval. Enfim, aí ontem fui comprar as passagens. Ou ao menos tentar. A au pair ucraniana daqui tinha me ensinado, mas uma coisa é tu ver e outra é tu fazer. Mas creio que consegui. Pelo menos hoje  fui a Stuttgart direitinho com a passagem que comprei ontem também... 

Opa, antes de passar pro que aconteceu hoje, falemos de ontem. Bom, depois de ficar uma hora pra comprar as passagens, fui da Bahnhof (Estação de trem) para o shopping. Não sei bem como, mas o fato é que parei lá. Dessa vez pude me localizar melhor e fiz compras necessárias (tipo shampoo, condicionador, chocolate - pois é). Em seguida me achei de novo naquela loja linda de CDs.

Durante a semana, em um dia que os guris se plantaram ao meu redor no pc, resolvi mostrar o trailer de Rio pra eles e descobri que não tinham visto o filme ainda. Então, na fantástica loja, lembrei de dar uma olhada nos filmes infantis e encontrei Rio pra dar pros guris (que quiseram ver ontem - vi junto - e adoraram). Mas aí achei uma tremenda injustiça comprar pros outros e não comprar pra mim, né? Pulei pro corredor de CDs e saí de lá com quatro CDs lindos: 

Dois do Udo Lindenberg e dois de Die Toten Hose
Um dos meus desejos aqui na Alemanha é ver um show do Udo, que é um cara tão conhecido por aqui quando o RC no Brasil, se bem que os estilos são bem diferentes (aos interessados em conhecer Udo). Já Die Toten Hosen é conhecido por "Zehn kleine Jägermeister" (até tu conhece, garanto, clica no nome da música e confere) e eu pouco ouvi até minha viagem. De São Paulo para Frankfurt, no avião havia a opção de ouvir música e encontrei entre as alternativas um álbum deles, que acabou sendo um dos que eu comprei: Ballast der Republik. É uma banda bem legal pelo que estou descobrindo. Quem sabe eles não entram na minha lista de shows desejados? (O caminho da luz pra quem quiser conhecer.)

No shopping, olhei uma banquinha escrito "Creps" e fui comprar. Sabor: Nutella (vai saber do que eram os outros). Imaginando o nosso conhecido creps suíço, me surpreendi quando recebi uma espécie de panqueca. Mas é bom!

Foto de celular, desculpem a qualidade.


Depois da minha passada pelo City Center, voltei ao bar da semana passada. E, vejam, fui reconhecida. "A brasileira! Então sexta é teu dia de folga?" Quem me identificou foi o cara que tinha dito que conhecido o Brasil. Quando eu já tava no fim da minha cerveja e estava disfarçando pra não parecer que eu tava morrendo de sede, afinal bebi num instante, comecei um papo de fato com ele. Uwe. Ele era marinheiro e passou um ano navegando pela América do Sul que, de acordo com ele, que conheceu o mundo todo, é o lugar mais bonito que ele já viu. Essa viagem já faz uns quinze anos. De acordo com ele, o dinheiro oficial ainda era o cruzeiro. Como tinha uns reais na carteira, mostrei pra ele e ele adorou. Me pediu quantos euros valia determinada nota e se decepcionou ao saber que o Real não vale nada se comparado ao Euro.

Mas aí acabei minha cerveja e me mandei, prometendo voltar na semana que vem. Oficializado o compromisso nas sextas.

Ok, agora podemos falar de hoje. Acordei praticamente no horário normal da semana, pra dar tempo de me organizar, ir até a Bahnhof e me localizar direitinho. (Ou seja, hoje vou cair dura na cama e só acordo depois de longas horas bem dormidas.) Olha, não foi difícil. Tudo aqui é muito bem sinalizado então dá pra se entender fácil. Ninguém passou pra conferir os bilhetes, ao que parece eles fazem isso lá de vez em quando só e, quem não tá com o bilhete certinho, paga algo como 50 euros.

Lago de Böblingen congelado...

Um pedacinho da Bahnhof.

Essa foto é só pra registrar a neve matutina

E eis o trem, ou S-Bahn

Na estação de Stuttgart.
Quando o trem foi entrando em Stuttgart é que me liguei de onde eu estava: Stuttgart! Cara, essa deve ter sido uma das primeiras cidades alemãs da qual ouvi falar depois de Berlin. E, levando em conta meu encanto pela Alemanha desde a infância, isso é algo. Quer dizer, até então era só um nome, só um dos 12 cenários da Copa de 2006... Agora não é mais! Aí eu descobri que estou mesmo na Alemanha e que estou feliz por isso.

Bom, o que me levou à cidade foi o encontro de Au-Pairs. Da estação de trem, eu deveria pegar o U-Bahn (que é uma espécie de metrô, digamos assim, é o trem que anda dentro da cidade). Eu ia ir sozinha e encarar o desafio de conseguir chegar ao lugar certo, mas na última semana conversei com a Priscila, outra au pair brasileira que está em Stuttgart.

Rapidamente, quem é a Priscila: ela basicamente veio na cara e na coragem pra cá, sem mal saber alemão. Só de saber disso já admirei ela, afinal eu, com quatro anos não me sentia segura pra vir pra cá, de certa forma. Ela está aqui desde setembro e tá fazendo o intensivo de alemão (ou seja, aula todo dia, não será o meu caso).

Nova pausa. Muita gente têm me perguntado sobre o programa de au pair. Bem, o modo como eu fui parar nisso foi bem ímpar, então pouco posso ajudar. Mas conversando com a Priscila descobri o Aupair World, um site no qual tu se inscreve para fazer o intercâmbio nos países cadastrados e com o qual ela veio pra cá. Fica de dica aos interessados. 

Então me encontrei com a Priscila e fomos juntas ao encontro. Depois de quase dar a volta no prédio todo, descobrimos uma porta para entrar, entramos e, meia hora depois, descobrimos que entramos errado. Mas depois chegamos direitinho ao nosso destino e conhecemos au pairs da Espanha, da África do Sul e muitas da Ucrânia. O grupo não era gigantesco, cerca de 10 au pairs, até porque nem todas as au pairs participam, mas foi bacana. As gurias até tavam combinando de sair juntas hoje de noite pra ir numa festa, mas, como vocês sabem, remo contra a maré e, consequentemente, danceterias não me interessam. Shows é outra história.

Durante a semana tinha catado no Google Maps como ir do encontro de au pairs ao Mercedes-Benz Arena, estádio do Stuttgart que, na época da Copa, se chamava Gottlieb-Daimler Stadion, a pé e voltar a estação de trem principal pra voltar a Böblingen. Mas a gentil Priscila resolveu me acompanhar (e me aguentou surtar, coitada) e me levou direitinho até o estádio e dele pra estação, ou seja, ao contrário do previsto, meu status de sábado não é "Me perdi em Stuttgart".

Conhecer o estádio, mesmo que só por fora, foi mais um daqueles momentos que me fizeram ver como sou uma surtada futebolística. Fiquei de boca aberta, literalmente (e também tive certeza de que a Copa do Brasil será um fiasco, mas sobre isso divago outro dia, se alguém se mostrar interessado). Baita estádio! Lindo a valer!

Abusando ainda da boa vontade da Priscila, fiz ela dar uma volta no estádio e acabamos encontrando a loja do Stuttgart. Óbvio que não resisti a entrar e comprar uma camiseta (apesar da Priscila me chamar de louca por causa do preço - camiseta de futebol é cara, isso é fato, tal como é fato que eu não posso resistir a tê-las). E eis as fotos bonitas:

Esse é uma espécie de monumento que tem
na frente do estádio. Não me perguntem a moral dele.


Tudo que eu sabia dizer era "Que baita estádio!"



Foto pra registrar a nova camiseta.
E, depois de me encaminhar direitinho pra casa, a Priscila se despediu e me largou no S-Bahn. Na mesma estação que ela desceu, entraram duas brasileiras e sentaram do meu lado. Claro que eu tive que dizer "No meio de tanta gente, não acredito que duas brasileiras foram sentar do meu lado". As duas eram de São Paulo e estão há pouco tempo por aqui, mas já estão se habituando. Nem precisei me identificar: "Jaqueta do Grêmio. Tu é do Sul, né?"

Mas logo elas desceram e eu continuei até Böblingen, onde compartilhei minha emoção com a visita ao estádio e mostrei minha aquisição ao mais velho dos guris, torcedor do Stuttgart. Eu me emocionando com o estádio (desculpa, não posso dizer Arena, meu cérebro associa ao Grêmio) e o guri dizendo: "E nem é o melhor estádio da Alemanha."

Enfim, tô exausta. Mas ainda uma última informação: hoje a janta foi o que a Gastmutter diz que é um prato típico do sul da Alemanha, especialmente no inverno, o Spätzle, que nada mais é do que uma massa feita na hora. Tipo, ela faz a massa, e coloca numa espécie de espremedor que dá a forma, que cai direto na panela pra cozinhar. Junto, salada de batata e pepino (e cebola, pra variar), e galinha assada.

Ok, isso é tudo. Preciso urgentemente de um banho, um chá e de horas de sono.

Bis bald!

7 comentários:

Malú Oliveira disse...

Ah, quantas emoções! É uma maravilha conhecer outros lugares, ficar deslumbrada com tudo. Uma sensação indescritível! Tô adorando seu blogário!

Beijo :)

Ps.: Você ficou a cara da riqueza na neve.

VaneZa disse...

Não sei como essas duas brasileiras não eram cearenses... porque cearense é um bicho que tu encontra em todo lugar.

Acho que aquela impressão que você estava triste tá passando. kkkkk

BeijoZzz

Tita disse...

Pobre Priscila... e vc reclamou do "shopping tour" q teve que fazer comigo em Caxias! Mas, ok... o estádio é mesmo lindo! A escultura não é homenagem aos países que participaram da copa aí? Pq se vc contar são 32 quadros, que é o número de times que participam de copa. ;)
Fala para o marinheiro (Uwe é o nome dele, né?) que os argentinos estão pior, pq precisa tipo 4 pesos para comprar 1 real!
Guria, o Spätzle é muito bom mesmo, é tipo um nhoque miudinho. Também é feito na Polônia.
Gostei da camiseta. Bela aquisição! Ir para a Alemanha e não comprar uma camiseta de futebol para vc seria o mesmo que não ir, né? Já imagino teu dilema na volta, ao fazer as malas: cerveja ou camiseta?
Para o próximo post, por favor, fotos de patinação artística no lago! rsrsrsrs

Alê Lemos disse...

O estranho é que o cruzeiro era bem mais desvalorizado que o real rsss. Será que teu "amigo" não reparou nisso quando veio? Bom, acho que mais decepcionante que isso seria assistir uma novela das 8 XD. As fotos estão ótimas e concordei com vc quando disse que chocolate é uma necessidade kkkkk, mas principalmente aí no frio alemão. Beijos!

Luiza Padovezi disse...

adorei Ana! aproveite muito essa oportunidade única que passa rápido! e venha contar tudo aqui ein!
ficar tao longe por tanto tempo nunca é facil, mas vale muuuuuito a pena!
boa sorte!

Pandora disse...

Você está simplesmente muito linda dona Ana!!! É muito legal te ver vivendo essas emoções legais, visitando estádios famosos, comprando coisas que você gosta e sim tu é um garoto não tenho duvida se fosse um pouquinho mais afeita a cheros e carinhos ia ser tão legal... Enfim, não se pode ter tudo!!! Viva mais, conte mais e tire foto da neve que parece ser a coisa mais linda do mundo quando vista a essa distancia!!! shuashuas

Bruna disse...

Anaaa! O mais massa é ver tudo com as fotos e suas legendas. To adorando!