Viagem e chegada

sábado, 5 de janeiro de 2013

Cá estou finalmente na Alemanha e creio que posso me acostumar tranquilamente por aqui, ou pelo menos com a família. Não está tão frio (não me perguntem a temperatura, não faço ideia), o que por um lado é bom, mas por outro não: nada de neve. Mas vamos começar do inicio: a viagem. Saí de Caxias às 8h e meus pais e eu fomos de carro a Porto Alegre. Uma viagem que, de ônibus, demora em média duas horas e meia. De carro, duas horas. Tudo tranquilo na estrada. Chegamos às 9h40. Fiz meu check-in, mas não podia despachar a mala porque era muito cedo. Como o avião saía às 15h17, só poderia despachar depois das 13h, duas horas antes. 

Comecei a ler Mansfield Park, único livro da Jane Austen que me falta ler e que resolvi levar na viagem, tomei um suco de laranja, acessei o facebook pelo celular – e fiquei avacalhando lá na página do Blogário -, e vegetei . Aí fomos atrás de almoço. 

Ok, hora de despachar a mala: 37 kg (cerveja pesa, afinal). Como o peso máximo é 32kg, eu tinha que tirar umas coisas – nada de “pode levar mais, mas paga a diferença”. Tirei meu caderno lindo da Jovem Guarda, o presente pros pais da família, minha capa de chuva e... não sabia mais o que tirar, afinal o pacote de erva mate, por exemplo, que pesa um kilo eu não poderia levar na mão. Trinta e cinco kilos. Aí a guria, tri simpática, disse: ok, deixa assim mesmo. Quando ela fechou a mala de novo, lembrei da trilogia da Cidade das Trevas que podia ter tirado, mas era tarde. 

Aí meu pai começou a resmungar: por que levar isso, por que levar aquilo; e eu a brigar. Fazendo jus à minha fama de má, me despedi pronta a xingar qualquer um que dissesse “A”, em vez de estar cheia de sorrisos – em alguns casos até de lágrimas. Aí eu fui pra sala de embarque e percebi que a bateria do meu celular estava fraca. Chega de facebook. Mandei um sms pra Betina, mão da família, falando que estava saindo de Porto Alegre e embarquei para o meu primeiro voo.

Alberto, o jogador de Belém: No meio da viagem de Porto Alegre-São Paulo, o guri que estava do meu lado (e que era muito mais experiente em voos do que a novata aqui, já que ele nem se deu o trabalho de prestar atenção na partida) resolveu puxar papo pedindo o que eu estava lendo. Não ficou muito alegre em saber que era romance, mas se animou quando eu disse que também gostava de gibis. O guri se chamava Alberto e tinha vindo passar uns dias no RS com a família de Belém. Além de me explicar como anda o Homem-Aranha nos gibis (MEUDEUS, Peter Parker morreu!), ele me falou de jogos de RPG, videogames, mangás e animês. E eu fiquei me sentindo velha, já que quando ele falou que Peter Parker tinha um substituto eu lembrei do filme Fantasma, que ele não conhecia. Nem vou comentar minha ignorância no assunto RPG e videogames, nem minha limitação no de mangás e animês. Mas de qualquer forma foi bom conhecer o Alberto, no fim do voo ele estava me contando piadas e eu falando um pouco da parte do RS que ele não tinha visto (tipo o fato dos gaúchos chamarem de torrada o que todo o resto do país chama de misto quente).

Já em Guarulhos, tive que refazer meu check-in. Saí de Porto Alegre com a Tam, mas meus outros dois voos seriam pela Lufthansa. E a Ana anda e anda naquele aeroporto atrás do guichê certo (o que não foi difícil, já que tudo estava devidamente sinalizado) com a sua mala de mão, as tralhas que tinha tirado da bolsa numa sacola e os dois casacos gigantescos que levava (um escolhido de última hora – um casaco de pena de ganso de trinta anos da mãe. E que está com um furo e fica soltando penas por ai, lindo). Mas ok, check-in feito.

Aí vi uma guria sentada no chão com o laptop numa tomada e a tomada sobrando do lado. Joguei todas as minhas tralhas ali mesmo, sentei e coloquei meu celular pra carregar. Aí como, um dia antes da viagem a Claro me deu 200 sms’s grátis por ser cliente dela há 96 meses (oito anos, isso aí, eu sempre digo que sou cliente milenar deles), mandei um sms geral pra atormentar pessoas (lembrando, claro, de colocar o código de área nos números de Caxias). E fui pra sala de embarque.

Ah, sim, enquanto fazia o check-in mandei uma mensagem pro meu pai e pra minha mãe dizendo que estava em São Paulo (a qual meu pai respondeu: ALFIDERSEM, com o que ele quis dizer “Auf Wiedersehen”, que é adeus em alemão) e fiz o mesmo na saída de lá (também avisei a Betina). Quando cheguei no portão de embarque certo, a fila estava enorme para entrar no avião. Dois guris atrás de mim estavam atrás de mim reclamando do tempo nublado de São Paulo (quase que eu virei e disse: “cara, vão lá pro RS no inverno antes de reclamar do tempo de SP” ou “cara, vocês tão indo pra Alemanha em pleno inverno de lá, tu acha que vai ter sol?”, mas sou discreta e não disse nada).

Dentro do avião, três vezes maior que o da Tam, no mínimo, haviam três fileiras. Por pancadice minha, dei voltas desnecessárias, mas achei meu lugar: ao lado de um casal de alemães. Quase 12 horas de voo. Confesso que li pouco, afinal tinha uma tela touch screen para cada passageiro escolher um filme pra ver ou músicas pra ouvir. Tudo que achei de interessante pra mim foi um disco do Die Toten Hose e coletâneas de sucessos de Elvis, Queen e, pra minha imensa alegria, Bowie. Confesso que tentei ouvir Muse e Linkin Park (agora o primo do Buffon me mata), mas além do aparelho ter começado a birutear, não gostei. Rock pop não é comigo.

Eles serviram duas refeições: janta e café da manhã. Bah, uma baita comida. Na janta tinha carne, purê de batata e cenoura cozida, além de salada e uma sobremesa de chocolate (não me perguntem o que era, não sei o nome, sei que era bom), além de pão e manteiga. No café da manhã tinha um negócio que não sei o que era e que tinha gosto de ovo, um molho meio estranho e algo que não lembro agora. Também tinha iogurte, mamão, pão, manteiga, queijo cremoso, geleia de amora e sei lá mais o quê. Em nenhum dos dois eu comi tudo – muita coisa. Entre as refeições, umas horas escuras para dormir e eu dormi pouquíssimo.


O casal alemão ao lado: Nem vou entrar no detalhe de que não sei o que alemães de verdade vão fazer no Brasil, até porquê meus vizinhos não eram os únicos. O fato é que eles pareciam legais, mas não conversamos – e eu é que não ia tentar. Durante as horas de sono, sem que eu visse, ela pulou por cima de mim (eu estava no banco que ia pro corredor) e foi no banheiro. A partir daí eles quiseram sempre passar por cima de mim. Ok, então. Deduzo que eles estavam no Amazonas ou algo assim, pois ela pegou uma revista da Lufthansa onde tinha o mapa-múndi  com as linhas que a empresa faz e, no Brasil, ela pegou e apontou o Norte (apesar dos meus problemas de geografia, sei que  era mesmo o Norte). Ah, o casal quase lambeu as embalagens de comida, o que me fez ficar com a questão: eles que comem demais ou eu que como de menos?

E cheguei em Frankfurt, solo alemão. Não aproveitei muito esse meigo momento, saí correndo atrás do portão no qual eu pegaria o voo para Stuttgart, onde a família me buscaria. Tinham me dito que o aeroporto era gigantesco e que até um trem passava por ele (o que são duas verdades), então não quis arriscar. Até onde eu sabia, eram quatro horas de diferença, então adiantei meu relógio em quatro horas, o que resultou em 11h, sendo que o horário de embarque era 12h45. Não precisei fazer check-in, já que o voo também era pela Lufthansa, fiz tudo em SP.

Sai correndo atrás do portão A40. Como tudo era muito bem sinalizado, não encontrei dificuldade além da distância. Andei, andei e andei. O aeroporto de Frankfurt deve dar uns quatro Salgado Filho (nome do aeroporto de Porto Alegre). Cheguei uns quarenta ou cinquenta minutos depois no portão certo. Imaginem que o prédio do aeroporto é em U. Bom, eu desci numa ponta do U e tive que ir pra outra.

 Não fui atrás de comida nem nada. No pouso em Frankfurt me deu um sono danado, então eu só queria sossegar num canto. Mas bah, passei horas sentada! Aí vi uns carrinhos pra colocar bagagem, peguei um pra por as minhas, dei umas voltas ali no portão A40 (cheguei tão fácil nele que olhei várias vezes a passagem e a placa do portão pra ver que eu estava no local certo) e tirei minhas primeiras (e únicas) fotos da viagem.

Sentei de novo e comecei a me preocupar: 12h40 e nada de movimentação de embarque. E a pontualidade alemã? Então olhei pro relógio do portão pela primeira vez: eram 11h40, ou seja, enquanto o Brasil está no horário de verão, a diferença é de apenas três horas. Isso me deu mais uma hora de presente. Pensei em ir atrás de comida, mas não queria dar mais um passo; pensei em tirar um cochilo, mas vai que eu durma demais?;  então resolvi ler mais um pouco.

Embarque. Dessa vez não tinha pressa de pegar um voo, então não precisaria desembarcar correndo. Até pensei em tirar um cochilo, já que o voo era curto, mas acabei não conseguindo por vários motivos (dentre os quais eu sou neurótica e vivo com medo de dormir demais). Saí do voo com um mantra: “Que eu encontre minha mala, que eu encontre minha mala”.

Na hora de pegar a mala, eu e minhas tralhas nos largamos num canto e esperamos. Haja mala parecida! E nada da minha mala. Devo ter passado mais de cinco minutos lá. Até que minha mala apareceu, com uma roda quebrada, mas apareceu (sejamos justos, a rodinha já estava meio quebrada, como só fui perceber em Porto Alegre).

Saí dali com outro mantra: “Que eu encontre a família, que eu encontre a família”. Mas, como é sabido, eu nunca enxergo as pessoas e, apesar de estarem na minha frente, só os vi quando a Betina veio falar comigo. Estavam ela e os guris. Três bonitinhos garotos alemães: Marc, Sebastian e Julian. De Stuttgart a Böblingen foram uns 20 minutos de carro (tempo no qual a Betina pediu se eu havia feito um intensivo de alemão, pois meu alemão está melhor desde que nos falamos por telefone, em outubro). Agora eu realmente posso dizer que estou na Alemanha.

A recepção: Os guris colocaram uma placa no meu quarto “Willkommen Ana”. Dentro, uma cama de casal, um pequeno guarda-roupa, uma poltrona, uma televisão e uma mesa com cadeira (na qual havia um desenho e um prato com chocolates). Estou conseguindo me virar bem, apesar de não entender tudo plenamente. Já me distrai com os guris e me peguei falando português e eles também já começaram a me dar aula de pronúncia, especialmente Sebastian que adora ler. Marc adora futebol e já me deu alguns pôsters pra colocar na porta do meu quarto (aliás, Marc foi o que mais adorou as camisetas do Grêmio que dei a eles). Já Julian adora montar um Panza com legos. É, acho que me divertirei com esses três guris. 

Bis bald! 

Então, eu desembarquei ao lado de onde está escrito
"Frankfurt airport". A foto foi tirada no portão em que
embarquei para Stuttgart

O que me esperava na porta do quarto,...


... o que me esperava na mesa...


... e o que eu ganhei nas primeiras horas.

P.S.: Infelizmente não poderei publicar fotos da casa nem da família. Regras da família.


16 comentários:

Nati disse...

Ai guria, que aventura que tu tá fazendo, tendo, que tá acontecendo.

Fico feliz por tu ser gaúcha que nem eu e estar ai onde está.

Aproveita cada pedacinho de tudo.

Boa sorte. Beijos

Malú Oliveira disse...

Nossa, Ana! Senti um frio na barriga por você. Que bom que deu tudo certo na viagem (apesar de ter sido super cansativa). E sim, poste fotos depois!

Beijos e boa sorte! :)

Erica Ferro disse...

Ai, amei esse post!
Na boa, acho que eu ficaria uma pilha de nervos se eu fosse passar um ano longe da minha casa, longe da minha família. Sem falar que sair do Brasil e se aventurar SOZINHA em outro país, logo de cara, sem nenhuma outra experiência internacional, só poucos se arriscam. Mas, como você é uma guria arretadamente prática e destemida, deve ter tirado de letra.
Eu preciso registrar o quanto adoro esses posts de viagens. Adorava o blog da Luiza. E tô adorando o seu, Seerig. Ri um bocado com algumas partes desse post, principalmente com os mantras. hahahaha

Quero ver as fotos! Tire muitas fotos da cidade, hein? Não só eu, mas acredito que todo mundo que tá acompanhando o seu blogário quer ver um pouco do lugar onde você tá.

Bis bald, Seerig!

Pandora disse...

Que bom que deu tudo certo Ana e você foi bem recebida!!! Alivio com certeza é um sentimento!!!

Family More disse...

muito bem Ana, continue contando tudo para seus amados fãs!
E, ah, esqueça essa pequena aversão a fotos, quero fotos! sou uma fotógrafa, preciso disso!
kkk
E boa sorte com tudo!

/alynne

Dayane Pereira disse...

UAU ANA, ADOREI!
Que graça de família, e que carinho, que nova experiência incrível você terá por aí!
Estou aqui torcendo e querendo saber de cada detalhe!
Quero ver as fotos !!
Bjooos

Tiêgo R. Alencar disse...

Li PALAVRA POR PALAVRA e juro que fiquei nervoso quando você começou a narrar sua saída de Caxias pra SP e de SP pra Alemanha ! Ainda bem que deu tudo certo, tava torcendo TAAANTO! E eu fui um dos que recebeu sms <3333 Amei amei amei! Aproveita MUITO aí, sua linda! E não esqueça de postar, estou muito curioso pra ver sua host family!!

Beijo!

Babi Farias disse...

Li o post inteirinho pensando: quero mais, quero mais! Adoro pessoas aventureiras assim como você. Já estou esperando o próximo post com fotos e tudo o mais. Aliás, me encantei com sua descrição a respeito dos guris. Acho que vão se entender bem mesmo! :D

Beijo, Seerigueijo, aproveite muito de tudo!!

Tita disse...

Ufa, chegou! Hoje tava falando com a Carine lá na Piá e a gente comentando que não tínhamos recebido notícias da tua chegada.
Garota esperta, levou o casaco furado pra deixar penas de ganso demarcando o caminho de volta, heim? Nada como ter lido João e Maria...
Também amei receber teu torpedo! Tentei te ligar em seguida mas pelo jeito o celular tava off :(
Agora ficaremos no aguardo das fotos.
Aproveite muito essa aventura!

Ana Carolina Lima Da Rosa disse...

Ana :D bem você indo pra alemanhã e eu vindo pra poa, na verdade no dia que tu embarcou e eu vim para praia õ/ no qual retorno 20/01 e vou passear alguns dias em Curitiba. Que bom que deu noticias logo, continue dando e nós contando como está tudo ai e sempre que der poste as fotos para curiosidade aqui do pessu que te acompanha no blogario! ;p

Buffon disse...

Ana, não esqueça de dizer para o Marc que você é amiga do primo do goleiro da Itália e Juventus (Gianluigi Buffon). =P

Anderson Kravczyk disse...

Muito, muito e muito afudê *-*

Pra qual time os guris torcem??


se der, mostra o video do jogo Grêmio x Hamburgo pra eles na inauguração da Arena *-*
http://www.youtube.com/watch?v=I4wvRcgdBy4

Sou mais um na expectativa com essa experiência maravilhoas que comessaste, até to com um pouco de inveja :p

Nati disse...

Essas já estão boas :D Temos que respeitar o direito de imagem alheio né. haha Beijos

Allyne Araújo disse...

Uma aventura daquelas!!!! Converso, só de te acompanhar por aqui já acho divertido, ÔO guria de coragem!!!!!!!! Bjão Grande!
P.s: Recebi seu sms.
p.s: se cuide!!!

by Paty Pimentinha disse...

Aihh q pena, tava doida pra ver a carinha dos alemãezinhos !

Alê Lemos disse...

Também sou neurótico com essa coisa de dormir em veículos ou fora de casa. Aí, eu vi uns chocolatinhos da marca "kinder" tem kinder ovo aí? eu jurava que era um chocolate argentino. Tomara que vc se dê Bem com os moleques! Criança chata é muito difícil de lidar, tem que ser diplomática e ao mesmo tempo durona. Pena não podermos vê-los, mas algo na sua descrição me fez ter uma boa impressão deles.