Família, ê, família, ah, família

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

E voltamos a falar nos dias em Berlin.

Sem dúvida, um dos negócios mais legais por minha passagem por lá foi descobrir mais sobre a minha família. Como disse, fiquei na casa de um Seerig berlinense e o exato parentesco é: o vô dele era o irmão mais novo do vô do meu pai, meu bisavô. 

Eu e meu pai inúmeras vezes falamos sobre o passado da família, sobre o desejo de conhecer familiares na Alemanha, e foi realmente legal realizar isso, apesar de sozinha. A todo momento eu lembrava do meu pai e em como ele adoraria estar ali. Enfim, já deu pra pegar o espírito da coisa, sigamos. 

Só tive realmente noção de que estava entre familiares quando conheci o sobrinho do meu bisavô, pai do primo que me hospedou. Ele me deu a árvore genealógica alemã da família, completa até onde ele conseguiu, já que muitos dos irmãos do meu bisavô ous seus filhos sumiram do mapa. O resultado é que, ao contrário do que eu sempre pensei, a Alemanha não é cheia de Seerig, pelo contrário, só tem eles. Ou seja, até aqui meu sobrenome não é entendido de primeira, é incomum.

Uma informação que sempre foi divulgada na família, é que meus bisavós saíram de Berlin. 'Não, não, a família não é de Berlin, é de Chemnitz' (cidade do Karl Marx e, pelo que me disseram, extremamente industrial e nada bonita, mas mesmo assim quero conhecer), disse meu primo, mas o pai dele explicou. Meu bisavô foi trabalhar em Berlin, onde conheceu minha bisavó, Paula, e casou. De Berlin, veio pro Brasil. 

Aliás, meu bisavó não chegou a conhecer o irmão mais novo e nem os filhos dele. Uma irmã, em determinada época, entrou em contato com o consulado para saber do irmão e soube que ele estava morando em Santa Maria e que teve 12 filhos. Até hoje esse sobrinho do meu bisavó guarda uma cópia da resposta do consulado.

Outro grande presente que ele me deu foi um livro em que fala um pouco sobre a história de Chemnitz e cita o pai dele, que foi músico e responsável pela orquestra da cidade. Tem uma foto dele e, pode ser viagem minha, mas lembrou muito meu avô, ou melhor, as fotos do meu avô, que não conheci. No livro também tem um texto do pai desse primo no qual ele fala da questão da Alemanha dividida.

Morador da Berlin capitalista, ele quis visitar parentes em Chemnitz, que ficava do lado socialista. Não bastasse isso, Chemnitz era a cidade de Marx, visto por muitos como criador do comunismo. Li uma vez o texto e não entendi tudo perfeitamente, mas ao que parece foi uma dificuldade tremenda ir a Chemnitz, porque simplesmente queriam convencê-lo de que a cidade não existia mais. Maluquices. 

Mas o bacana mesmo foi que eles realmente adoraram me receber. Uma parente brasileira! Levei chimarrão pra eles experimentarem e o pai do meu primo tirou um milhão de fotos minhas tomando chimarrão. E, sim, mate eles conhecem. '...e isso chama-se erva mate' 'oh, mate, claro, MATE, aqui também tem'. A mulher do meu primo também foi tri gente fina comigo o tempo todo. Enfim, foi ótimo. Levando em conta minha vida familiar dos últimos tempos, foi fantástico.

Ah, eles também me convidaram pra passar o Natal com eles e, se tiver como, o Ano-Novo. O Natal é quase certo que vou ficar lá, já que trabalho até o dia 20 de dezembro e depois estou dispensada (minha Gastfamilie também vai viajar). A questão agora é ver datas de voos e ver se em vez de ir pra Frankfurt de Stuttgart, posso ir de Berlin, porque senão vou ter que atravessar duas vezes o país com, provavelmente, duas malas. Enfim, já estou vendo disso. Aguardemos. 

Bis bald!

Falando em família, os pais da minha Gastmutter (franceses) estão passando a semana aqui porque sexta é aniversário de um dos guris. É realmente bonito ver eles falando francês, nem parece uma língua tão cheia das frescuras. Mas, sim, eles falam alemão. E essa estada deles aqui em nada me afeta, tirando o fato de que, por uma semana, não preciso fazer o almoço, coisa que não lamento. 

9 comentários:

Pandora disse...

Eu sou emotiva, você sabe, então esse post meio que me emocionou, a busca pelas raízes é uma necessidade humana, a gente meio que precisa saber de onde veio para compreender onde está e planejar o "para onde ir", deve ter sido lindo mesmo... Por esses dias eu fui visitar uma tia-avó minha, bem velhinha, que me contou várias histórias sobre meu avô, minha avó e meu biso Rafael foi emocionante, então compreendo perfeitamente sua emoção dona Ana!

Pandora disse...

Ah, esse post foi quase tão emocionante quanto o sobre o frio, que claro ultrapassou todos os níveis de emoção!

Dayane Pereira disse...

Muito legal conhecer mais sobre a sua história Ana, sobre origens, familiares "perdidos" por aí.. Mto legal mesmo! Seria melhor ainda se seu pai tivesse descobrindo isso junto com vc!

Tita disse...

Bah, vc adivinhou... eu tava curiosa, mas como vc não falou nada, pensei até que não tivesse sido uma experiência muito boa kkkkk
Acho fundamental a gente saber sobre nossos antepassados... muitos passaram por tantas dificuldades. Sempre que começamos com mimimi precisamos lembrar de quantas gerações antes de nós resistiram, lutaram para sobreviver e superar problemas com certeza mais sérios do que aqueles q nós temos, para que nós estivéssemos aqui. Estamos aqui graças a eles, temos que dar valor a tudo que temos, que foi conquista deles também.
Em que época teus bisavós vieram de Berlin para o Brasil, Ana?

Alê Lemos disse...

Acho que esse foi meu post favorito até agora. Eu bem que queria fazer a árvore genealógica da minha familia, e conhecer a familia da minha avó lá no nordeste, mas os mais chegados já morreram e os menos chegados sumiram, perdemos contato.

Tita disse...

Da parte da minha mãe, um primo dela fez a árvore genealógica desde o antepassado que veio da Alemanha para o Brasil. E está disponível para consulta da família na internet.
Da parte do meu pai, eu tenho cópia de todos os documentos q minha avó (que tem 99 anos) tem, desde a certidão de batismo dos meus bisavós na Polônia, certidões de casamento, passaporte familiar usado quando vieram para o Brasil, em 1926... e também um "salvo-conduto" que meu avô tinha que usar para poder viajar dentro do Brasil na época da 2a. guerra, já que ele era polonês e todos os estrangeiros eram "monitorados".

Tiêgo R. Alencar disse...

"É realmente bonito ver eles falando francês, nem parece uma língua tão cheia das frescuras." AMO VOCÊ XOXANDO O FRANCÊS! hahahahaha E é TÃO interessante conhecer os nossos 'laços de família'! Achando ótima essa sua estadia na Alemanha! Vai voltar com a cara do conhecimento e da ryquezza, mais do que já tinha! kkk

Beijo!

Tita disse...

Ah, Tiêgo, como vc é gentil. Nem podemos dizer q vc tá abalado pela distância da Ana pq vc sempre foi essa coisinha querida. Mas vou traduzir tuas doces palavras. Em "Vai voltar com a cara do conhecimento..." leia-se "vai voltar menos xucra..." kkkkkk

Anderson Kravczyk disse...

Que afudê esse post, muito muito mesmo... eu queria muito conhecer minhas famílias européias,deve ser bem tri...mas só é um sonho distante....

ah tão legal isso, muito mesmo o/