Não posso evitar, então...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

...vamos falar de futebol. Vamos falar em Copa. 

Não, não vou começar a falar aqui dos preparativos brasileiros para o ano que vem. Ok, o inglês do bar me pediu se o Brasil estava pronto pra Copa e eu disse que não, mas não vamos chutar cachorro morto. Meu objetivo nesse post é falar do (pouco) que vi nesse país que foi sede da Copa do Mundo de Futebol de 2006 e são detalhes que duvido eu que tenham sido criados unicamente por causa do evento. 

O ponto principal é: inglês. Aqui, em voos nacionais e em trens, avisos são dados em alemão e inglês. Isso sem falar que qualquer pessoa tem um bom conhecimento de inglês, todos falam, todos mesmo. O inglês do bar até me disse que é complicado aprender alemão porque as pessoas não só estão dispostas a falar a língua dele como fazem questão de fazê-lo, talvez pra praticar, não sei. O fato é que hoje mesmo a professora dos guris falou comigo em inglês, sendo que foi dito pra ela que o inglês era só em caso de eu não entender o alemão. Ou seja, o povo gosta de falar inglês. E no Brasil, quantos falam? 

O fato é que o inglês é ensinado de verdade na escola, começando no jardim de infância e indo além do verbo to be. Não é rara as vezes que os guris aqui testam seus dotes na língua falando uma frase ou outra (inclusive o mais novo, de cinco anos, que fica contando em inglês). Por exemplo, há pouco, por alguma razão qualquer, cantei pros dois mais novos "Boi da cara preta", obviamente eles se adoraram a palavra "boi". Papo vai, papo vem, o do meio me sai com essa: "Eu sei o que é boi, é menino". Enquanto eu negava, ele insistia, até que ele falou: "Em inglês!". E eu ri até mais não poder dessa associação, que não deixa de estar certa. 

Em questão de trânsito: na cidade em que eu moro, que é pequena, todas as ruas centrais ou tem sinaleira de pedestres (daquelas que se pede o sinal) ou tem faixa de segurança (que são completamente respeitadas pelos motoristas). Partindo daí já se vê certa organização. As rodovias tem velocidade máxima de 100, 120 km/h, sendo que cada mão tem umas quatro ou cinco faixas. Ou seja, nada de lerdeza e complicação.

Bom, quanto a aeroportos, como falei no post da minha chegada,, o aeroporto de Frankfurt é tão grande que tem um trem que circula unicamente dentro dele. E duvido que ele seja o único. Passei por Guarulhos e, apesar de bem sinalizado, ele é sufocante, apertado.

Já quanto a estádios...

Por enquanto, o único estádio que conheci foi o Mercedes-Benz Arena, em Stuttgart, e fiquei de boca aberta. Aí cheguei em casa e o mais velho dos guris disse banalmente "E esse nem é o melhor estádio da Alemanha". Claro que eu sabia disso, o que me marcou foi o jeito como ele disse. Cara, numa análise rápida, os estádios brasileiros são uma porcaria. Ok, tenhamos fé nessas reformas e tal, mas duvido que chegue a se comparar com o que há aqui.

Quando Eduardo Antonini, grande responsável pela Arena do Grêmio, veio pra Alemanha ver os estádios da Copa, a intenção era reformar o Olímpico. Só pelo Mercedes-Benz Arena eu já sou capaz de entender porque ele chegou e disse que uma reforma era impossível, que era preciso fazer um novo estádio. E é por isso que eu desconfio dos estádios brasileiros e suas meras reformas. Se a Arena gremista, construída com base nos estádios alemães, já tá dando espaço pra críticas (se bem que mais por consequências da inauguração apressada do que por qualquer outra coisa), imagina estádios reformados. Nem vamos parar pra contar todos os rolos que deram nessas reformas, de greve a interdições, porque vamos quebrar a cabeça e não conseguiremos acertar a conta.

Quer dizer, se já tá dando tanto problema na hora de organizar, o que acontecerá na hora de receber a Copa? Pior ainda, se o povo, que além de não estar preparado, em maioria só sabe criticar o Brasil como sede (ok, também acho que o Brasil tem outras prioridades, mas depois de escolhido é inútil só reclamar), como serão recebidos os estrangeiros? Não é só uma questão de obras, vai bem além disso.

Eu realmente espero estar errada e, mesmo não tendo pulado de alegria ao saber que o Brasil seria sede da Copa, torço para que as coisas deem certo. Agora é esperar pra ver.

Bis bald!

Nota 1: Minha Gastmutter já tá preocupada se vai conseguir uma brasileira pra vir pra cá. Ela acha que todas as brasileiras vão querer ficar pra ver a Copa. Tentei convecê-la de que nem todas são problemáticas como eu, porque sim, em 2014 tô no Brasil e ninguém me tira de lá. 

Nota 2: Os admiradores de futebol de plantão lembram do fiasco de 2005 com a manipulação de resultados do Brasileirão? Bom, chega de dizer que isso é coisa que só acontece no Brasil. Hoje ouvi no rádio que foi a polícia europeia descobriu manipulação de cerca de 380 jogos, dentre os quais de Liga dos Campeões e Eliminatórias da Copa. Nem vou parar pra por o link alemão sobre o caso, eis o da Placar aos interessados

1 comentários:

Erica Ferro disse...

Isso lá dos estádios é bem verdade. Não acredito muito que os estádios brasileiros ficarão tão bons quanto a da Alemanha e de outros países mais bem desenvolvidos, mas, sobretudo, bem mais organizados.

Bem, eu espero que a Copa no Brasil não seja um fiasco, que, apesar dos pesares, a coisa fique legal, que não recebamos uma enxurrada de críticas negativas do resto do mundo.

Mas, pra terminar, uma avacalhação básica: inglês do bar? Opa, quer dizer que você tem visitado bastante os bares por aí? E conquistando os corações dos caras, suponho, certo? Essa Seerig é uma danada! hahaha
Ah, e como se diz "bar" em alemão?