Uma semana na Berlin da Chris, do Bowie e do Udo

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Saí de casa no dia 9 às 5h15 pra pegar o trem pra Stuttgart e começar minha viagem de quase 12 horas com destino a Berlin. Os alemães ficam apavorados em pensar numa viagem longa dessas de trem, mas eu pessoalmente gostei. Pude conhecer um pouco mais da Alemanha. Bem mais emocionante passar tantas horas num trem do que num avião. Vi cidades que pareciam quase abandonadas, estações de trem esquecidas, casinhas minúsculas (na Alemanha também tem pobreza) e aprendi de vez como ligar com trens. 

Estação central de Würzburg 



Estação central de Erfurt

Bem na frente da estação de Erfurt.

O tempo impediu de tirar outra
foto da estação de Magdeburg

Não sei se cheguei a comentar no post anterior, mas em Berlin eu ia me hospedar com um Seerig verdadeiramente alemão e descobrir exatamente o parentesco, o que de fato fiz, mas isso renderá outro post daqui uns dias. Confesso que cheguei, fiquei preocupada. Quer dizer, pra uma pessoa neurótica como eu que diz automaticamente "não" pra tudo que oferecem pra não incomodar, simplesmente se instalar na casa alheia por uma semana é dar um salto grande demais, ainda mais levando em conta que eu nunca os tinha visto antes, mas logo me despreocupei. Eles foram muito legais comigo, no domingo deram uma volta imensa pela cidade comigo e me explicaram como andar sozinha por lá. Enfim, sem grandes enrolações, vamos de vez ao que eu vi.

Pois então, no domingo fomos ver o filme Berlin wie es war (Berlin como ela era), que traz imagens das décadas de 10 e de 20. Mostra de tudo: de construções de estações ferroviárias a prédios históricos. É realmente interessante. Fomos na primeira sessão da manhã, às 11h, e estava vazio. Quando saímos, tinha uma fila enorme de gente pra próxima sessão. Em seguida eles me levaram no Olympiastadion (nem precisei pedir, quando eles descobriram que eu era uma adoradora de futebol, me levaram lá direto) e é absurdamente incrível. Com a cidade abaixo de neve, o gramado parecia um veludo, e... enfim, é uma construção linda.  



Ao redor do estádio há de tudo pra esportes,
foto das piscinas pra dona Ferro.
Também demos uma volta ao redor do castelo da Sophie Cherlotte, construído há uns duzentos anos e com um jardim enorme. Há vários castelos em Berlin, mas acabei não entrando em nenhum porque não era algo que eu realmente queria e tinha tanto pra ver... Ah, sim, e já aviso que só fui em dois dos milhões de museus de Berlin (tem de cinema, fotografia, do Salvador Dalí, da DDR, da história de Berlin, de história natural... enfim, tem museu de tudo): o Checkpoit Charlie (que fala do muro - e que me fez perder o ânimo pra outros museus) e o da Comunicação (que é fantástico). Mas enfim, sigamos. Eis o castelo de Charlotte. 

Athena no jardim de Charlotte.



Andamos e andamos no centro de Berlin e é incrível olhar todos aqueles prédios antigos. Só catedrais há várias: tem a catedral alemã, a catedral francesa e a catedral de Berlin. Prefeituras também há aos montes, já que Berlin é resultado da junção de várias cidades. Obviamente que só há uma prefeitura oficial, mas as outras continuam sendo chamadas de prefeituras e, acredito eu, tem outras utilidade políticas. E agora eu começo a misturar as fotos, porque me será impossível separar por dias. 

Se não estou enganada, essa é a catedral alemã.

Esse é o local onde toca a orquestra municipal
(de novo, se não estou enganada), que
fica bem entre as catedrais alemãs e francesas

Catedral de Berlin. Acabei não entrando, mas deve ser linda.

A Prefeitura Vermelha, um dos prédios mais
famosos da cidade.

Ah, certo, já que resolvi desistir de fazer esse post organizadamente, voltemos aos museus. Depois de eu ter tirado umas quantas fotos do museu da Comunicação, descobri que era proibido. Altamente interativo, o museu é admirável, além de ser acessível, o mais barato que vi por lá. Já o Checkpoint Charlie fala um pouco dos anos do muro e de outras crises na Europa na mesma época, é enorme e cheio de coisa. Ele me fez desistir de ver outros museus, afinal pra aproveitar bem teria que ficar horas, ler tudo e ver todos os vídeos, coisa para a qual não tenho paciência.

Checkpoint Charlie. 

Mapa usado por Churchill.

Malas, as pessoas se dobravam dentro delas pra
atravessar o muro.

Há o passo a passo de Guarnica no museu.
Um espaço só pra isso. 

Amostra do tamanho do porta-mala dos carros,
onde as pessoas se escondiam pra fugir.

Especial pro Gandhi.

Calçados do Gandhi.

Com isso o Gandhi fazia suas roupas.

Engenhoca construída por uma cara
pra fugir do lado comunista... voando.

Filarmônica...


... e seu concerto semanal gratuito.

Museu da Comunicação por fora...

... e por dentro.
Claro que fui em pontos clássicos de turismo, como o portão de Brandenburgo, no qual fui reconhecida como brasileira pelo cara vestido de urso (urso é o símbolo de Berlin) por causa da minha jaqueta do Grêmio. Foi lindo de ver e demorei pra assimilar o que tava acontecendo: Brasilien! Brasilien! Du bist aus Brasilien! Grêmio! Grêmio! Brasilien!. Eu acho que é absolutamente desnecessário comentar tal caso, ele fala por si e o resto do universo que exploda. Também fui no parlamento alemão no qual, em vez de eu ficar uma hora na fila pra entrar, fui recebida com cafezinho por um amigo do meu primo que é alguma coisa da Angela Markel (não me perguntem o quê) e tive uma excursão exclusiva.

Dentro do Parlamento. 

Tinha mil coisas....

... e me explicaram tudo,

mas, devo confessar,

não entendi metade,

então me desculpem a falta de detalhes.

A cúpula envidraçada e com o centro de
espelhos, pra "clarear" as ideias
dentro do Parlamento com luz natural.

Berlin mantêm os sinais do muro.

Alexanderplatz.

Eastside Gallery. 




Brasil?
Vandalismo corintiano em Berlin.

Brandenburg Tor. Resquícios da Prússia.

Einstein.

Walter Benjamin.

Henrich Mann.

Vários rostos famosos da cultura e da ciência...

.... que sofreram na Alemanha no período de guerra.

Oi, Goethe.

Monumento aos judeus mortos na guerra.

Monumento aos soviéticos que morreram
lutando contra Hitler e derrotaram o
nacional socialismo.

Siegessäule. Nem pretendia ir aí, mas
peguei o caminho errado
e cheguei lá.

Chris, Bowie e Udo

Como tinha dito, minha intenção era ir na Estação Zoo e eu fui. Como a mulher do meu primo fez questão de frisar, não há mais junkies e a polícia tá de olho sempre. Não há nenhuma referência à Chris e nada que diferencie a Estação Zoo (Sim, é a Estação do Zoológico) das outras, mesmo assim foi legal conhecer. Sem contar que descobri um bom lugar pra comer o Currywurst, comida típica de Berlin que meu primo me apresentou na segunda, que vem com batata fritas - da qual eu sentia saudades. Pra ir pra estação Zoo, peguei o trem pra Pankow e não pude não lembrar do Udo Lindenberg. Aliás, há um musical do Udo em Berlin, mas não pude ver porque tava com ingressos esgotados. Mas vi o Blue Man Group.




Eu disse que ia tirar uma foto
com a camiseta do Bowie na Zoo.
Mas minha lembrança de Bowie em Berlin foi maior do que eu pretendia. Meu primo me deu uma matéria sobre a nova música do Bowie pra ler e depois acabei comprando (na Zoo) uma revista com outra matéria. Em Where are we now? ele faz várias referências a Berlin, cidade onde morou por dois anos e no qual gravou três álbuns, cita a KaDeWe, loja imensa com tudo que é coisa (tipo a Magnabosco de Caxias versão evoluída), a Nürnberger Strasse e tal e tal. Por lembrança do meu primo e das matérias, acabei indo atrás do estúdio onde o Bowie gravou e do prédio onde ele morou.

Eis a KaDeWe

O prédio que eu invadi pra...

.... tirar foto com a placa do Hansa Studio. 

A Nürnberg Strasse.

O prédio onde o Bowie morou - e que eu não invadi.
Tive que registrar a bandeira brasileira na rua do Bowie.

Sebo do lado do prédio do Bowie. Nem me emocionei, né?
Comprei dois livros do Hesse e "Die Welle".


Acabou que conhecer os caminhos do Bowie foi uma das coisas mais emocionantes em Berlin. Talvez eu seja mesmo uma fissurada por ele e talvez por isso as pessoas lembrem de mim quando falam nele. Talvez.

Es gibt in Berlin eine künstlerische Spannung, die mir nirgendwo anders jemals begegnet ist. Paris? Vergiss es. Berlin has it.
(David Bowie)
Existe em Berlim uma tensão artística que eu jamais encontrei em outro lugar. Paris? Esqueça. Berlim tem

É irônico, conheci Bowie através da história de Christiane F., uma  berlinense drogada, e Berlin salvou Bowie das drogas e de tudo que o atormentava. Agora, depois de anos sem lançar algo novo, Bowie lança uma música falando justamente de Berlin. Não é à toa que as revistas alemãs só falam nele. Aliás, Berlin adora Bowie e adora dizer que o salvou. Comprei lá o livro Helden - David Bowie und Berlin e é na contracapa dele que está essa frase. E outra ironia: assim que vi Berlin e constatei que estava encantada por ela, lembrei da minha viagem à Paris e pensei: Duvido que Paris consiga ser mais encantadora que Berlin. Bowie diz que não é e duvido que eu o contradiga. Veremos. 

Descobri em Berlin um paraíso chamado Dussmann, uma loja de três andares com livros e CDs. Como eu poderia não me encantar. Coletâneas do Ennio Morricone, um canto especial pra Bowie, livros do Irving e tantos outros. Fui forte e não comprei tudo que eu queria pra mim, como os CDs do Bowie, mas não pude resistir a comprar o que me lembrou outras pessoas. Enfim, extrapolei na Dussmann. 

Comprei um CD do Tom e da Elis pra dar
pro meu primo pra agradecer tudo e a esposa
dele adorou. Ela adora bossa nova.










Uma curiosidade encantadora: nas livrarias alemãs tu pode sentar e ficar lendo sem problema algum. Na Dussmann também há toca-CDs pra ti usar, coisa que há muito eu não via. Bah, será que registrei tudo? Obviamente pulei um monte de observações que fiz no dia a dia lá, mas quem sabe isso renda outro post. Enfim, encerramos com algumas fotos gerais de Berlin. Aliás, passar uma semana em Berlin e ver em cada esquina o Bruce Willis foi demais pra mim. Preciso ir no cinema urgentemente. 

Bruce, meu caro.



Alameda Marx e Engels. Aliás, Marx é
conterrâneo do meu bisavó. 

Uma das casas centenárias
construídas por Gustav Lilienthal,
pareciam pequenos castelos.











Ver essas construções tão bonitas e não se encantar com Berlin é possível? "Começo a temer por sua volta. Ainda que tem a Copa pra te atrair pro Brasil de novo", disse a Jaci. Se eu encontrar um alemão que more em Berlin, aí há o que temer, de fato. Enfim, espero que tenha dado pra entender alguma coisa desse post ou que pelo menos as fotos o salvem.

Bis bald!

5 comentários:

Pandora disse...

Eu devo ter lido trocentos livros escritos por alemães cujo cenário era Berlin e mais alguns por americanos... Sabe que ela é tudo o que os alemães acham que é: uma cidade dura, quase que fincada na rocha... Muitas referencias ao Império Romano ainda estão espalhadas e o jeito da arquitetura planejada por Hitler ainda está presente. Não é romântica, mas é muito solida. Curti olha a cidade pelos teus olhos Ana, me deu uma sensação de reencontro com certos autores, certas histórias, certos momentos.

Ah, e ainda fui citada.

A proposito, eu nunca vou entender como uma moça centrada como você simpatiza com Christiane F., putz eu nunca aceitei a justificativa tosca dela para se envolver com drogas, para mim ela é um pouco menos um pouco mais que uma patricinha boba que fez mais escolhas...

Tita disse...

Ana, Berlin é a tua cara!
O Parlamento, com aquele painel espelhado é maravilhoso, esse é um lugar que realmente eu gostaria de conhecer.
E é nóis na fita, mana! kkkk Curintiano contribuindo para a paisagem berlinense.
Eu conheço um alemão que tá morando em Berlin... vc sabe quem é... mas só apresento um pro outro quando vcs voltarem pro Brasil!
Guria, a catedral de Berlin deve ser realmente linda. Mas se vc tiver uma foto mais de perto da Athena do jardim de Charlotte, deve ser maravilhosa... posta, por favor.
Bem, antes q meu comentário fique maior que o post só falo que vc deve ter se sentido em casa com o "jeitinho brasileiro" do teu primo usando influência para vc olhar o parlamento por dentro kkkkk

Tita disse...

Ah, quanto ao comentário da Pandora sobre Christiane F.
Acho que os personagens que gostamos nem sempre são aqueles que agem como agiríamos, muitas vezes por serem radicalmente diferentes de nós é que gostamos deles.

Lúcia Soares disse...

Lindas imagens. Acredita: meu marido tem sobrinha que mora na Alemanha há 20 anos, casada com um alemão, e que nunca visitou Berlim! Mora perto de Koln (Colônia - sei que vc sabe, mas quis escrever. rs), numa vilazinha chamada Bergheim. É perto de onde vc mora?
Beijo! (vc é clarinha, apesar dos cabelos escuros, então pode ser uma alemã, fácil, fácil. rs)

Mia Sodré disse...

Na última foto tem um homem-aranha naquele prédio ou é impressão minha? haha

Ah... querendo esse tempo fechado daí pra mim. Quem sabe um dia?
Mas ó: cê combina com a Alemanha, moça. Quer dizer, dá pra ver que tu é sulista, mas combina contigo.