Costumes, manias e papo furado

sábado, 2 de março de 2013

Antes que dona Jaci me pegue no facebook e faça um interrogatório, já começo falando da questão dos aniversários por aqui. Pois bem, ontem um dos guris tava de aniversário e os preparativos já começaram anteontem: bolos e cookies foram feitos. A parte de cantar parabéns e apagar as velinhas foi logo de manhã cedo, com a família. Nada te torta, as velas estavam num bolo mesmo, que foi o nosso café da manhã (e eu não tenho do que reclamar). Então ele abriu os nossos presentes (começou pelo meu, olha que bonito - um livro do Roald Dahl, mas não era Matilda nem A Fantástica Fábrica de Chocolate, era um que eu não conhecia, depois que ler, me perguntem) e, como era sexta-feira, escola. 

Já que falei que tô querendo iniciar uma manipulação literária, devo dizer que esses tempos tava lembrando da Turma dos Tigres, série do Thomas Brezina que eu adorava ler quando tinha meus 9, 10 anos (daquelas que fazia minha mãe ficar gritando à toa pra eu tomar banho, comer e dormir - agora eu entendo o que ela sofreu), e pensando cá com os meus botões que se eu encontrasse aqui, compraria pros guris. Mas eis que outro dia eu olhei pra capa do livro que, justamente o que tava de anivesário, lia: Turma dos Tigres! Nem me emocionei, né? Descobri que a Gigi aqui é Bibi e que, em vez de estar sempre comendo maçã (não consigo comer maçã sem lembrar dela), ela vive agarrada a uma barra de chocolate. Thomas Brezina em alemão, que coisa linda!

Depois da escola, almoço e o aniversariante e seus sete amigos foram numa fábrica de chocolates fabricar sua própria barra. Visitei uma filial em Berlin, parece que é mesmo tradição de aniversário. Mas agora vem a parte mais barulhenta: todos vieram pra cá pra jantar e... posar! Dez crianças juntas sob o mesmo teto por horas, imaginem a bagunça. Teve mais um bolo pros amigos e os cookies (o bolo tinha um formato estranho, só descobri que era pra ser um estádio de futebol quando foi dito). A janta, como toda sexta-feira, foi pizza, e as próprias crianças escolheram os sabores e as montaram (eu estava bem quieta no meu quarto nessa hora, já que disseram que não precisavam de mim, mas só de imaginar o que foi me dá medo). Depois da pizza, filme (e a Gastmutter deixou eles escolherem, imagina a zona) e então sim hora de dormir. Essas últimas partes eu também desconheço, ajudei a arrumar a bagunça da janta e depois me recolhi. Acordei hoje com montes de crianças gritando e chutando bola no corredor - tri emocionante. Foram todos pra casa antes do café da manhã.

Entre os sete amigos do aniversariante, seis guris e uma guria. Ela não posou aqui justamente por ser a única guria (não que isso faça sentido pra mim). Tal fato me fez lembrar lá dos meus 10 anos, quando fui a única guria convidada pra festa de aniversário de um colega, o Pedro, na época estranhei a valer porque eu nem sabia que ele ia tanto com a minha cara, hoje estranho porque guris e gurias aos 10 anos preferem se manter bem longe uns dos outros. Se a guria não posou aqui, eu também não fui na festa. Meu pai já não achou bonito quando fui na festa de aniversário de um colega com outras gurias anos antes, imagina eu sendo a única guria, se bem que não lembro se cheguei a falar pra ele da festa, acho que não. Minha mãe me deu um livro pra dar de presente, o qual eu tive vergonha de entregar por achar um livro absurdamente tosco. Era daqueles com 4, 5 páginas, que eu lia em dois minutos. Lembro que deixei embaixo da classe do meu colega  e ele adorou quando viu, até achei que ele tava gozando com a minha cara. Se emocionou por ter um Pedrinho na história (tinha uma Aninha também). Foi aí a primeira vez que eu percebi que eu lia além do normal. E que os guris eram mais toscos que as gurias.
Como eu disse no post anterior, em função do aniversário, os pais da Gastmutter vieram passar a semana aqui. Não cozinhei nem um dia, mas sim o pai da Gastmutter - ao que parece, na França, os homens são quem cozinham (se liguem Bittencourt e Tiêgo), o que resultou em uma variação ótima de cardápio. Comidas típicas francesas e alemãs, não me perguntem nomes, eu apenas comi e devo dizer que todas eram ótimas. Aproveitei e perguntei pro cozinheiro da semana sobre alguma referência a Dumas em Paris e ele me confirmou o que a Gastmutter já tinha me dito: não tem nada. Aí eu me pergunto, COMO? Um dos maiores autores franceses, que tornou os mosqueteiros personagens imortais, conhecidos mesmo por aqueles que desconhecem Dumas, sem homenagem nenhuma? Baita barbaridade. Aí mais uma vez tenho certeza de que Paris não me encantará. Uma cidade que se orgulha de ser bonita e não se orgulha da cultura que tem definitivamente não pode me agradar. 

Ah, outra observação. Falando com o pai da Gastmutter sobre Dumas, ele me falou do palácio do Louvre, onde viveu Luís XIII, e do palácio de Versailles, que ele começou a construir e que o filho, Luís XIV, terminou de construir e morou até a revolução que acabou com a monarquia. O que isso tem a ver com Dumas? Bem, na trilogia d'Os Três Mosqueteiros se passa durante o reinado desses dois reis e, sim, Jaci, fala até na Queda da Bastilha (agora ela chora e arranca os cabelos porque precisa ler Vinte Anos Depois e O Visconde de Bragelonne - que é uma raridade que eu tenho, não canso de me gabar disso). Aquele dia, dona Jaci, que tu fez um romance contra a minha esnobação a Paris, é que lembrei dessa questão da Bastilha, mas não tinha certeza, até esse papo com o pai da Gastmutter, então não quis te enlouquecer à toa. 
De qualquer maneira, desde que conheci Berlin tive certeza que Paris não me encantaria. Impossível que ela seja mais agradável que Berlin. Ah, e já que o papo é sobre as manias alemãs, naqueles dias de viagem observei um montaréu de coisas, vamos ver do que me lembro agora. No sábado que iniciei a viagem era carnaval. Como era de manhã, tinha muita gente pegando o trem pra voltar pras suas cidades após festas. E tinha muita gente fantasiada. Lembro de um bando de umas vinte pessoas, entre 25 e 40 anos, creio, TODAS fantasiadas. Tinha até uma mulher de girafa. Agora, a gurizada que eu encontrei no caminho só tava interessada em beber e cantar aos berros. Lembro que estranhei a valer aquela barulheira a!té perceber que eles tavam com vários vidrinhos de bebida sendo esvaziados rapidamente.

No meu último dia em Berlin, sai pra caminhar com a mulher do meu primo (ela quis me mostrar os quarteis depois que disse que meu vô era militar), e, enquanto me explicava que as casas do bairro onde eles moram são centenárias, como os pequenos castelos arquitetados por Gustav Lillenthel, e me dizia 'teu bisavô pode tê-las conhecido antes de ir pro Brasil', vimos uma bandeira da Alemanha. De acordo com ela, isso é muito raro (se bem que já vi algumas), porque depois da guerra, alemães que ostentem as bandeiras são relacionados ao nacional-socialismo. Então, salvo na Copa de 2006, no qual todos se orgulharam do país em que vivem, eles não são muito nacionalistas. Outra consequência da guerra foi o hino alemão. Hoje só é cantada a última parte do hino. Pra quem não conhece, eis a música original com legendas:

(vale olhar a descrição do vídeo)

Ah, na viagem também conclui uma coisa: não tenho mesmo cara de alemã. Além de me olharem com cara estranha (no caso das mulheres) ou simplesmente ficarem me olhando (no caso dos homens e das senhorinhas simpáticas), quando falavam comigo, se eu não respondia em 5 segundos começavam a falar comigo em inglês.

Mas já falei demais. Tem um sol lindo lá fora (a Primavera dá seus sinais) e eu preciso sair pra dar uma caminhada e lagartear um pouco, licença.

Bis bald!

P.S.: O lado triste da Alemanha é que aqui se ouve Michel Teló e Gustavo Lima tocando nas rádios. O lado feliz é que aqui fazem boas paródias:

2 comentários:

Tita disse...

Nada de Dumas? E de Júlio Verne (Jules Verne)? Sei q tem diversas atrações em Amiens... mas talvez tenha alguma coisa em Paris.
Fia, não sei se perdi alguma coisa mas fiquei curiosa pra ver alguma foto daquela imensa livraria de Berlin... não tem foto interna?
Quanto ao Michel Teló... é nessas horas que fico feliz de não conseguir carregar vídeo por aqui kkkk

Pandora disse...

Putz, essa eu não sabia, eu tenho talento para investigador policial! E olha que eu evito ficar fazendo perguntas a você, ai quando faço uma pergunta tu já começa o post fazendo parecer que eu não te deixo em paz de tão curiosa que sou! #MisericórdiaAna

A festa na Alemanha é mesmo diferente, outro dia vi uma mãe falando de como se festeja na Suíça e também achei pra lá de original. Bem, cada povo tem sua cultura festiva.

Você não sabia que o Louvre foi um palácio no qual habitaram reis?! Bem, quem sabe agora tu se anima a conhece uma pequena parte do cenário da história e me deixa feliz por saber que você aproveitou uma das melhores coisas que Paria tem!

E sim, sempre soube que Dumas é legal porque ele contar uma versão do que foi a história da realeza francesa. E uma versão legal, que ficou popular durante o século XIX, que esteve na boca do povão, afinal o texto dele circulava nos jornais de Paris. E sim, lembre-se que cultura não é apenas literatura e sim tudo o que vivemos, sonhamos, cremos e produzimos em sociedade como seres humanos que somos... Então homenagear ou não um autor não faz de uma cidade melhor ou pior que outra e os franceses devem ser um dos povos que mais se orgulha de sua produção cultural, a História Cultural que se preocupa em estudar a história da música, da literatura e derivativos tem uma grande colaboração da França.

E sim, Berlim é mais sua cara! Fico me perguntando com qual cidade europeia eu ia me identificar mais... Berlim é dura demais para mim, Paris me parece ser suave demais... Talvez Londres, Praga ou Lisboa... Será que você vai consegui visitar alguns desses lugares?

Cheros Ana e deixe de ranzinzice comigo.