De McClane às calças mortas

sábado, 16 de março de 2013

Em Berlin, um dos meus encantos foi ver os cartazes de Duro de Matar 5: Um Bom Dia para Morrer (em alemão, Stirb Langsam: Ein guter Tag zum Sterben) por todos os cantos da cidade. Desde aquele domingo perdido de anos atrás, no qual assisti Duro de Matar 3 só pra matar tempo e acompanhar meu pai, entrei em um surto psicológico forte com a série. Obviamente que tive que assistir os dois anteriores e depois assistir o quarto. Todos fantásticos. Aí como não se apaixonar por Bruce Willis. Realmente lamentei o fato de não poder, como já fiz outras vezes, fazer uma maratona de todos os filmes, mas ok, quando eu voltar pro Brasil compro um box com os cinco filmes e revejo todos um milhão de vezes. 

Enfim, o fato é que, depois de ter perdido a sessão especial do cinema daqui, com o 4º e o 5º filme, por estar em Berlin, fui no cinema assistir John McClane e seu filho. Confesso que estava receosa, mas é um baita filme. Até fui rever. Ok, confesso, não entendei 100%, e as piadinhas, que são o encanto de McClane, muitas vezes me passaram batidas, mas ok, Bruce Willis no cinema alemão (no qual se pode tomar cerveja), é um negócio ímpar. 

Só pra registrar a cerveja no cinema. 

Outra coisa que fez minha alegria nesses dias, foi a chegada da edição especial de The Next Day, novo álbum do Bowie, uma verdadeira preciosidade. Comprei no Amazon e, cara, tô sentindo que me registrar por lá renderá mais gastos do que o aconselhável. Vou ser forte e fingir que continuo desconhecendo aquilo. 

Agora a porcaria está em ouvir. Não tenho CD player no quarto, ou ao menos ele não funciona, então passei uma semana até conseguir escutar (usando o player dos guris quando eles estão em aula). Só depois é que descobri no youtube. Mas enfim, sou uma pessoa  que se emociona comprando CDs, mesmo que poucos ainda façam isso. Aliás, na questão musical: vi fita-cassete pra vender aqui. Sem mentira. Audiolivro em fita-cassete. Eu precisava registrar isso. 



Devo relembrar que, depois da bota super-útil que comprei aqui, as primeiras coisas que comprei foram CDs: dois do Udo Lindenberg e dois do Die Toten Hosen. E aí chegamos à parte ilógica do título desse post. Em bom português, Die Toten Hosen significa "As Calças Mortas", que é uma expressão alemã para algo tedioso ou algo do tipo. Confesso que só agora tô mesmo os ouvindo, antes apenas os conhecia por ser a banda que toca Zehn Kleine Jägermeister, que baixei sem querer no meio de músicas do Die Prinzen e me chamou atenção por não me ser estranha. Qualé, me digam que vocês também conhecem:


Então por que comprei CDs deles? Como disse antes, tenho compulsão por CDs, além disso, conseguir baixar música alemã só na base de milagres, conseguir CDs no Brasil, então, nem se fala. A questão de download gratuito, ou a falta dele, é fácil de explicar: aqui eles tem mesmo a cultura de comprar as faixas no iTunes ou outro site qualquer. E era tão bonita a caixinha com os dois CDs que não pude resistir. 



(Vocês desculpem as fotos ruins, são via celular, acabo de, depois de um mês, olhar pra minha câmera fotográfica e ver que ela está sem bateria.)

Um dos CDs, por acaso, é o mais recente deles, Ballast der Republik. O negócio é que outro dia o  mais novo dos guris tava ouvindo Tage wie diese, uma das faixas novas, que estava numa coletânea da Champions League ou algo do tipo. Óbvio que, na primeira oportunidade, o fiz ouvir comigo o CD, ou melhor, me dei oportunidade de finalmente ouvi-lo. Depois de ter sido, junto com Die Ärzte (que também tenho ouvido mais e tenho pensado em ir atrás de um show), uma das bandas mais importantes do rock alemão nos anos 80 (eu e meu apego oitentista), especialmente na área punk, hoje as músicas são mais meigas e não têm a besteirada de Zehn Kleine Jägermeister, cuja letra pode-se comparar à História do Mamute, só que, claro, muito mais emocionante. 

An Tagen wie diesen wünscht man sich Unendlichkeit 
Em dias como esse os homens desejam ser infinitos 
An Tagen wie diesen haben wir noch ewig 
Zeit Em dias como esse nosso tempo é eterno 
Wünsch' ich mir Unendlichkeit 
 Espero que seja infinito


Logo depois de comprar os CDs, fui atrás deles no youtube, encontrei, entre outras, Tage wie diese, que me encantou antes de eu parar pra traduzir. Eles me conquistaram a ponto de eu ver que tinha feito uma baita compra e que foi burrice minha não ter ouvido mais deles antes. Mas a parte engraçada está por vir: a Gastmutter me viu ouvindo Die Toten Hosen com o mais novo dos guris e ele disse que o CD era meu. Dias depois ela chega toda alegre: "Uma colega minha de trabalho comprou ingressos pro show do Die Toten Hosen, tava toda alegre comentando. Aí eu perguntei quando e onde era, eu disse pra ela 'Minha au pair Mädchen é uma grande fã deles'." E aí ela me passou o nome das duas cidades próximas em que eles vão tocar e as datas. 

Eu sou uma grande fã deles e nem sabia! É tipo Bowie, ainda me surpreendo com as inúmeras vezes que pessoas vêm me mostrar coisas dele e dizer que sempre lembram de mim quando o tema é ele. Só que, ok, eu falo vez por outra em Bowie (e me emocionei lá em Berlin), mas não é o caso de Die Toten Hosen. Enfim, minha pretensão musical na Alemanha se limitava a dois shows: Udo Lindenberg e Die Prinzen. Como o primeiro praticamente não tem uma turnê anunciada pra esse ano e os segundos só estão com concertos em igrejas (não que isso me desanime, afinal deve ser a capella e coisa e tal), realmente comecei a pensar a sério em Die Toten Hosen (e agora começo a pensar em Die Ärzte), e ontem não resisti: comprei um ingresso. Como tinha que pagar frete de qualquer jeito, comprei duas camisetas bonitas pra mim também (também tenho compulsão por camisetas de banda), se for como da última vez, segunda-feira tô com eles na mão.

Ah, sim, a última vez. Uma das razões da minha falência antecipada esse mês, além da empolgação pra mandar tralhas pro Brasil, foi minha emoção com a loja virtual do Udo Lindenberg. Também tô louca pra me emocionar na do Die Prinzen, mas como tinha que comprar um negócio pra enviar pra certo ser, fui antes pra do Udo. Comprei uma camiseta, uma regata e um DVD. Tão lindos, povo! 


Aliás, hoje recebi uma estranha correspondência: de uma rádio paga. Ou seja, aqui o marketing é por carta, não por telefone. Agora, como me acharam? Só pode ter sido por essas compras virtuais musicais, ou assim suspeito. É tipo as bandas independentes do universo que me seguem no twitter ou me adicionam no facebook, jamais vou entender como me acham. Enfim. 

Outra das coisas felizes que infelizmente descobri foi o Mercado das Pulgas de Böblingen. Mercado das Pulgas é, como sugere o nome, um lugar onde se vende tudo que é coisa usada, de móveis a, não me perguntem porquê, antigos postais. E. claro, tem livros. Não tive razão pra ter um surto psicótico lá, apesar de ter livros bonitos do Hesse na vitrine e uma edição de O Corcunda de Notre Dame que eu tô pensando seriamente em comprar, apesar de ter a leve suspeita que temos esse livro lá em casa, tenho que averiguar com meus pais. Se bem que, sim, em alemão é outros quinhentos. 

Voltando a citar Bowie, minha maior motivação pra ir na Inglaterra era ver uma exposição dele. Ok, tem a casa da Agatha Christie, da Jane Austen e do C.S. Lewis, sem falar na Estação de King's Cross. Mas a exposição tem data e, se minha próxima oportunidade de ir a Londres for daqui 20 anos, ela não estará lá. Só que meu inglês é uma merda, não sei se consigo sobreviver lá três dias. Ok, na Alemanha as pessoas podem usar o inglês pra me explicar as coisas, mas na Inglaterra se eu responder em alemão não vou ser entendida. Sem falar que o inglês odeia sua terra natal e vive falando que lá é um perigo, que em Londres não se pode se andar sozinho de noite, que outro dia uma mulher foi estuprada às 7h em um trem e tal e tal (aliás, outro dia uma guria de 20 anos foi assaltada por 4 guris às 20h na cidade onde faço curso, o qual termina pouco depois das 20h). Enfim, depois de muito pensar, me liguei que é só uma exposição de roupas, e que Berlin já me deu emoção suficiente no que se refere à Bowie. Não, não, acho que vou me dedicar à Alemanha mesmo (podem me matar). 

Opa, opa, o guri do meio, aquele pro qual eu dei um livro do Dahl e que tava me pedindo que livro eu gostaria de ganhar de aniversário, acaba de descobrir meus CDs do Die Toten Hosen e quer ouvir já. Me deem licença, pois. Espero aparecer antes da viagem a Paris, que tá quase aí (e meu aniversário, como sempre me lembram por aqui, também).

Bis bald!

3 comentários:

Pandora disse...

Sempre vou me impressionar com o tanto que você é musical! Quando você voltar ao brasil vou te enviar um cd de Nação Zumbi para ver se tu gosta! Enfim, fiquei mais perdida que cego em tiroteio no meio dessas referencias sonoras, mas tudo bem o importante é ter noticias e pelo visto elas são ótimas!

GrazieWecker disse...

Musicalmente falando, post excelente!

Erica Ferro disse...

Tu vai a Paris? Ah, sua debochada! hahahaha
Nem preciso dizer, mas REGISTRE TUDO EM FOTOS E VÍDEOS (se possível).
Adorei as referências musicais.
Ouvi umas dessas músicas novas do Bowie. Ah, cara, eu queria o CD também, não só do Bowie, mas desses outros caras, os Die Toten Hosen.
E o que seria Mädchen?
Bicho, preciso comprar umas camisetas bacanas de bandas. Sempre quis comprar, mas aqui em Maceió é tão difícil de achar essas paradas. Aliás, se existem por aqui, não sei onde se encontram essas roupitchas lindas com estampas de bandas.

Enfim... aproveite a Alemanha, Paris e tudo o mais!