O que eu sempre esqueço de dizer

sábado, 9 de março de 2013

Tem sempre umas quantas coisinhas que esqueço de registrar aqui e, porventura, pode interessar alguém. Vamos por itens pra facilitar pro meu cérebro e eu não me empolgar escrevendo inutilidade:

Cachorros:
Aqui, os cachorros vão por tudo com os donos. Por tudo MESMO. Como, por exemplo, dentro dos correios, dentro do shopping, nas lojas... Tudo na maior tranquilidade. Outro dia eu tava lá comendo meu (quase) tradicional creps e aparecem mãe e filha com um cachorro (e não era dos pequenos, se não me falha a memória era um labrador). As duas se instalaram na mesa ao lado da minha e, enquanto a filha ia atrás de um creps, a mãe ficou segurando a corrente do cachorro. Quando a guria voltou, a mãe simplesmente largou a corrente no chão e foi atrás de um café. Nesse meio-tempo, me mandei. Como as mesas são umas coladas nas outras, tive que passar pelo cachorro ali sentado, tranquilamente. Nem sequer tomou conhecimento de mim. Ah, em tempo, não há cachorro de rua nem qualquer outro animal abandonado. 

Trânsito:
Ok, eu me emocionei com a história das faixas de segurança, mas devo dizer que, ao contrário de tudo que me foi dito por fulano e cicrano, os alemães não são irrepreensíveis pedestres/motoristas. Outro dia estava eu e um bando aguardando a sinaleira de pedestres abrir e, logo que abriu, um motorista fez um meigo retorno na sinaleira. Claro, alguém xingou: "Não viu que tá vermelho o sinal?", mas no mais ninguém se estressou e todo mundo seguiu seu caminho. Já em Berlin, pra atravessar a rua, (ok, aqui mesmo em Böblingen eu vejo), eles não se ligam em faixas de segurança. Pode ter uma dali dez metros, eles atravessam. E também atravessam assim, no meio dos carros, sem buzinaços ou coisa do gênero. Ou seja, me iludiram. Antes da viagem eu tentei extinguir minhas travessias suicidas de rua (especialmente na minha adorável Avenida Bom Pastor) porque me foi dito que alemães eram altamente surtados no que dizia respeito a leis de trânsito. História. Ah, em tempo: outro dia vi um carro inglês (direção no lado direito) andando por aqui. O cara tem que ser muito bom, hein? É preciso ter um sentido espacial apurado dirigir do lado direito do carro e ficar do lado direito da pista e não do esquerdo, sentido para o qual o carro foi feito pra andar. 

Ruas:
Eu tava enrolando pra comentar isso porque eu queria postar fotos e tal, pra ficar mais interessante, mas como eu definitivamente não tenho ânimo nenhum pra ficar fotografando tudo (desculpa, povo, eu tentei, mas eu realmente não consigo ficar agarrada à câmeras fotográficas - exceto quando há uma nas redondezas  e pessoas querendo tirar foto, aí pra evitar aparecer, eu me sujeito). As ruas aqui em Böblingen, em maioria, tem nome de gente importante: Mozart (a rua em que moro), Beethoven, Zeppelin... E cada placa de rua diz o nome completo do cara e o que ele era (inventor, escritor, compositor, poeta, político...). Outra coisa que uma surtada por cartas precisa registrar: aqui cada rua tem uma numeração. Quer dizer, não é uma numeração por cidade, cada rua começa com a casa número 1 e coisa e tal. Uma coisa que também acho interessante registrar é: aqui as ruas são cheias das curvas e voltas e mais voltas. Sabe aqueles desenhos do Pateta que aparece ele passando pelo universo inteiro apenas seguindo uma rua? É basicamente isso. É impossível se ter uma noção exata de para onde vai a rua. Outro dia peguei a rua errada e fui parar lá do outro lado da cidade depois de caminhar, caminhar e caminhar (e nada da rua acabar). Claro que pra pedestres é um pouco menos pior, já que há algumas ruas só pra pedestres, pra não precisar dar a volta no mundo só pra ir na outra rua. E quem sabe um dia eu faço fotos das placas das ruas.

Estrangeiros:
Aqui tem estrangeiros a valer. Aquele dia que fui em Stuttgart, encontrei duas brasileiras na volta e, assim que elas saíram do trem, duas italianas sentaram na minha frente, e então eu comecei a perceber que eu entendo italiano. Tive certeza disso quando peguei um trem lotado de turistas italianos em Berlin. Entendia praticamente tudo que eles diziam. Já no meu curso (ah, é, eu comecei meu curso) tem vários colegas cuja língua materna é espanhol (gente do Peru, Venezuela, Argentina, Espanha e tal e tal) e eles entendem o que falamos em português (tenho uma colega brasileira, de Fortaleza) e nós os entendemos em espanhol. Ok, não tudo, mas daí, bizarramente, apelamos pro alemão. É uma conversa de fato emocionante. Ou seja, sempre achei estranho quando, por exemplo, uma amiga minha dizia que entendia quando os familiares dela falavam em italiano mas não sabia falar, agora eu realmente compreendo que isso é possível. Mesmo o inglês, há tempos que sei que eu não consigo mais falar uma frase inteira sem misturar com alemão, mas quando falam comigo em inglês, eu entendo (e respondo em alemão. Quero só ver como vou pra Londres ver a exposição do Bowie desse jeito.) Ah, e a Alemanha é cheia de turcos. O primeiro aviso do meu primo em Berlin foi: "Tem muito turco aqui e eles realmente não sabem falar alemão"

Curso:
Só um comentário rápido, já que não registrei aqui. Comecei o curso há duas semanas, nível B2. Detalhe: fiz até o A2 no Brasil e devia, em seguida, fazer o B1. Pois é, tô pulando nível, vamos ver se dá certo. Até o momento tudo ok. Muitos colegas se impressionaram por eu estar aqui há dois meses e falar relativamente bem. O lado bom é que realmente não me sinto um alienígena e entendo boa parte do que é dito em aula (mais do que eu entendia nas aulas de inglês, onde meus colegas não queriam compartilhar do meu prazer - por incapacidade e falta de vontade - de falar português. Nesse momento peço desculpas aos meus caros teachers Hilário e Tati, caso estejam lendo isso). E, sim, no primeiro dia, numa integração que a professora fez, uma ucraniana, ao saber que eu era brasileira, gritou "Carnaval!" e tentou fazer algum movimento que fosse parecido com o ato de sambar. Ficou chocada quando eu disse que não gostava. 

Eu sei que tinha coisas a mais pra registrar, mas as esqueci. Quem sabe da próxima. 

Bis bald!

6 comentários:

Tita disse...

Muito boas as "coisinhas" registradas rsrsrs
Mas claro que a mais maravilhosa e invejável é:
"não há cachorro de rua nem qualquer outro animal abandonado."
Amei!
Achei inspiradora a ideia de caminhar por ruas curvas, imaginando que são antigas trilhas entre árvores que com o tempo foram pavimentadas e construções surgiram ao longo do seu trajeto. Muito mais natural que a exatidão das linhas retas, né?
Quando vc falou dos turcos, lembrei de um livro "Cabeça de turco"... já leu? (confesso q eu não li, mas talvez seja interessante para vc saber sobre os turcos na Alemanha).
E tadinha da ucraniana! Pq vc não deu uma sambadinha pra deixar ela feliz? kkkk

Pandora disse...

Pobre Ucraniana, se a referencia dela de carnaval for o samba ainda não sabe o que é Carnaval!

Acho que no futuro você vai apreciar ter escrito essas coisas Ana, vão te ajudar a ver quem você era em seus primeiros meses na Alemanha e em seus vinte anos!

Sabe que é por isso que escrevo blog, não porque alguém vai ler, mas porque eu vou ler e quero ver o que vou ver quando fizer isso!

Tita disse...

Eu tenho diversos diários, Pandora, escritos ao longo dos anos, quando tinha a idade de vocês. A gente se surpreende quando lê depois de alguns anos: nota que continuou repetindo alguns erros que achava que havia aprendido, nota que em algumas coisas era melhor do que se imaginava e ri quando descobre que sofreu por coisas que agora não tem a mínima importância.

Dama de Cinzas disse...

Queria morar num lugar que tivesse cachorros em todos os cantos... rs

Beijocas

Yasmin Carli disse...

Oi Ana, legal saber que está na Alemanha. Quando for a München me avisa! Vai notar algumas boas diferenças em relação a Berlim e a região. Dependendo do mês quem sabe nos falamos por ai. Abraços!

Pandora disse...

Adorei o comentário da Tita!