Paris, Páscoa e o que vem depois

quinta-feira, 28 de março de 2013

Quando expus minha falta de vontade de ir pra Paris no meu perfil do facebook fui xingada e "admirada" por ser do contra. Na mesma noite, pensei cá comigo: "Mas bah, e o Dumas? A melhor história do universo se passa em Paris" (porque "Os três mosqueteiros" é, pra mim, a melhor história do universo). No dia seguinte, a Gastmutter me diz que, como meu aniversário cai na Páscoa, data na qual eles viajam pra casa dos pais dela na França, eles me dariam uma viagem pra Paris, já que não havia espaço pra eu ir com eles e a viagem de trem é absurdamente longa e cara. Ok, então. A expectativa dela, e minha também, era que eu encontrasse a Ana Guarnieri, mas ela não vai poder ir me encontrar lá. Aí a pergunta: o que eu vou fazer em Paris?

A Gastmutter já tinha me dito que achava que não tinha nada de Dumas em Paris. O pai dela me confirmou. Deprimente! Mas o pai dela fez a bondade de me informar que o Palácio de Versailles foi iniciado pelo Luís XIII e terminado pelo Luís XIV, o que me fez lembrar que ele é parte do cenário de "O Visconde de Bragelonne", terceiro livro da trilogia sobre meus adorados mosqueteiros. Ou seja, minha lista de coisas pra ver em Paris aumentou, agora ela totaliza maravilhosos QUATRO ITENS! Não é bonito? Vamos a eles:

Antes, um aviso: tagarelo um monte sobre Dumas e dou um monte de spam sobre a trilogia mais linda do universo a seguir. Quem quiser saber mais dele ou sobre ele, vá lá no meu antigo blog ver o especial que fiz sobre Dumas. Dica: leia primeiro o último post e vá subindo. Eis o caminho da luz.

Louvre: Minha mãe ama o Louvre por causa d'O Código da Vinci, eu amo ele por todas as idas e vindas de Athos, Aramis, d'Artagnan, Porthos e, claro, o querido de Tréville. Ou seja, meu interesse é meramente no palácio, não no museu. Me matem, mas não tenho a mínima intenção de entrar no museu, que além de custar uma fortuna, tá cheio de quadros e disso e daquilo (lamento, não me interesso por arte), e provavelmente perdeu o espírito da monarquia. O que me resta é ficar lá na frente, parada, olhando e olhando, tentando voltar séculos atrás, tentando ver os mosqueteiros entrando por lados secretos para serem elogiados pelo Luís XIII por terem dado uma surra nos guardas sem que o cardeal Richelieu saiba; imaginando o d'Artagnan trabalhando pro imbecil do Mazarino e escapando com o pequeno Luís XIV, já rei, pelas portas dos fundos; sorrindo sozinha ao lembrar das artimanhas de Aramis para tirar Marchieli da Bastilha, o Felipe, e colocá-lo no Louvre no lugar do tirano rei de quem era gêmeo. Ok, rolou spam a valer aqui, já que metade do universo não sabe da existência dos dois livros finais da trilogia e acha que O Homem da Máscara de Ferro é só uma história solta, mas realmente não pude resistir.

Versailles: Aqui a tosca da Louise de La Vallière trocou, na história de Dumas, o querido do Raul de Bragelonne pelo metido Luís XIV, de quem virou amante (boatos de que isso de fato aconteceu). Como?, eu me pergunto. Mas enfim, outro lugar só pra eu ficar olhando e imaginando mais umas cenas de Dumas. Sem contar que o Ludwig II, o rei doidão alemão que construiu o Neuschwanstein (de quem já falei aqui), andou fazendo visitas por lá.

Panthéon: Único lugar em que há o nome de Dumas em Paris, até onde sei, afinal lá está o túmulo dele. Aliás, só há dez anos é lá o túmulo dele, um preconceito imbecil por ele ser descendente de escravos não colocou ele de primeira na morada final dos grandes nomes franceses. Aí vou lá pra tirar uma foto com a lápide dele e fingir que isso é mais bonito do que o monumento que eles deviam ter feito a ele. De repente dou um oi pro falecido Victor Hugo, já que ele e o Dumas era amigos-rivais, sem falar que ele também é um importante nome da literatura mundial - que ainda não li, mas um dia o farei.

Torre Eiffel: Não se animem. Só quero olhar pra ela e lembrar do Alberto, o nosso querido Santo Dumont, circulando pra lá e pra cá. Eis outro autor culpado disso: Alcy Cheuiche e seu fabuloso "Nos céus de Paris". Ok, eu vou tirar aquelas fotos típicas com a torre só pra não me xingarem depois (porque alguém, em algum momento, irá me xingar).

E aí acabou. Tipo, vou ficar dois dias e meio lá fazendo o quê? Café? Não, lamento, não gosto de café.

Mas há esperança. Eis o presente adiantado de aniversário que a Gastmutter me deu hoje de manhã:


Aquele guia que ela me deu de Berlin me ajudou tanto, que comecei a achar legais guias turísticos. Mas o bonito foi ela dizendo que compra assim pequeno pra ser mais prático de carregar e não ocupar tanto espaço na mala na volta pro Brasil. Mas, hey, cuidado: na capital francesa há muitos batedores de carteira. Ela tá me recomendando de hora em hora pra eu ter cuidado por lá. 

Já os caras do bar, quando souberam que eu ia pra Paris, disseram: lá a cerveja é cara. Nunca me passou pela cabeça sair da Alemanha pra ir catar cerveja na França, mas ok, valeu o aviso. E tem a bixice de "a cidade do amor". Cara, nos últimos dias só o que tenho visto é uma divulgação meiga no facebook da empresa que fará a excursão: "Passe a Páscoa na cidade do amor". Bléééé. Quanta bixice.

Enfim, vamos à Pascoa alemã. Aqui ela é bem mais festejada do que no Brasil. Eles têm decoração especial, que é colocada um mês antes, e a qual se assemelha ao Natal, já que em toda casa tem uma árvore decorada com ovos pintados, de verdade ou de plástico. Essa é a foto daqui de casa, mas se tu anda na rua tu pode ver várias árvores decoradas nos jardins das casas. 


Além disso, as crianças procuram ovos espalhados pelos jardins. Ou seja, bem mais emocionante do que no Brasil. Aí, há exatamente uma semana, eu me liguei de que não tinha pensando em nada pra dar pros guris. Esse negócio de au pair é praticamente um segundo estágio de magistério, então fui catar na memória o que tinha feito pros meus alunos: uma cestinha. Ok, legal. Problema: nunca mais achei o tal modelo da cestinha no google e não tenho no laptop. Solução: arriscar fazer a mão mesmo. Bem, podia ter ficado pior. 

O que coloquei dentro: euros de chocolate, balas (as únicas que achei, foi difícil), pastilhas (nem sei como achei isso), e ovinhos de chocolate (que tem aos montes por aqui). Obviamente que sobrou um monte. Obviamente que eu passei a semana comendo 'os restos'. Obviamente que meu nível de açúcar deve estar nas alturas. Mas enfim. Dei hoje pros guris, já que não passarei a Páscoa com eles, e eles adoraram. A Gastmutter se emocionou pelo fato de eu ter feito. E ela me deu um presente de Páscoa também (ufa, ainda que eu lembrei de fazer algo pros guris, senão tinha feito fiasco). 

O resultado.
Meu presente de Páscoa no meio
da bagunça gigantesca da mesa do meu quarto.

Mas minha cabeça já tá lá adiante. Decidi de vez não ir pra Londres (único lugar que poderia me fazer sair daqui esse ano) e me dedicar completamente a conhecer a Alemanha. Nesse mês de março não conheci mais nenhum estádio da Copa, mas não esqueci da minha intenção. Aí fui lá no meu novo amigo Google Maps, que eu sempre achei estranho, e comecei a marcar onde eu pretendo ir. Comprei um guia sobre a Alemanha tipo esses que a Gastmutter me deu, mas o mapa é frente e verso, então o Google Maps facilita minha localização. 

Além das cidades que tem estádios da Copa, estão na minha lista: Bremen (PELOAMORDEDEUSPESSOAS, tratem de conhecer a histórias d'Os Músicos de Bremen se ainda não conhecem, o Meistre Google ajudará nessa missão, me nego a ter leitores que desconheçam essa preciosidade), Chemnitz (cidade dos Seerig, afinal), Dresden (que sempre foi uma cidade da qual muito ouvi falar, que me surpreendi por não ter um estádio da Copa - jurava que tinha -, mas que depois de ler "Matadouro 5" se tornou destino obrigatório. Coisas da vida, né, Izidoro?), Gaienhofen (onde tem a casa do Hermann Hesse) e Steinau (onde tem a casa dos Irmãos Grimm). Ainda tô pensando se vou lá conhecer o Neuschwanstein ou não (o que implicaria em ser xingada pelo resto da vida pelo meu pai). Enfim, o roteiro é enorme. Tenho duas semanas em maio e duas em agosto. Vamos ver se consigo ter dinheiro pra andar por tudo isso. 

Mas ainda tem mais. Além de estar criando vergonha na cara pra comprar um ingresso pra um dos shows do Die Prinzen (afinal, essa era uma das minhas metas ao vir pra cá), o segundo semestre tem Feira do Livro em Frankfurt (a maior do mundo e que justamente esse ano homenageará o Brasil) e, claro, Oktoberfest em Munique. Sem falar no show do Die Toten Hosen pro qual comprei ingresso (o qual, depois de uma novela gigantesca, recebi ontem com as duas camisetas que comprei junto - ia ter que pagar o frete de qualquer forma, né?)


Enfim, amanhã levanto às quatro da manhã pra me mandar pra Paris e só retorno na segunda de madrugada. Vou quase em tom de obrigação, enquanto sonho com minhas andanças pelas terras germânicas. Vocês tem tempo suficiente pra me xingar até que eu volte e comece a resmungar sobre a capital francesa. Divirtam-se. 

Bis bald! 

1 comentários:

Pandora disse...

Que lindo, um post no qual o meu doce e suave nome não foi citado! Ana como você é ranzinza! Não vou te chingar mais por esse episódio, mas a vontade é grande! Tente aproveitar, tire fotos e blá... blá... blá...