Sobre au pair

domingo, 24 de março de 2013

Au Pair Mädchen (moça au pair): moça que, para aprender língua estrangeira, passa algum tempo em casa de família onde ajuda nos afazeres domésticos em troca de casa, comida e pequena mesada. 
(Definição do meu velho e tão menosprezado dicionário português-alemão Michaelis que depois dessa e de outras se mostrou pobre injustiçado diante do meu novo e sonhado dicionário.)

Essa definição é ótima e não há muito mais a acrescentar, mas usando perguntas que me fizeram nos últimos tempos, vou tentar ser mais detalhista.

Idade: Varia de país para país. Na Alemanha a idade é entre 18 e 25 anos, mas na Áustria, por exemplo, pode-se fazer até os 27 anos.

Duração: Também é variável conforme o país. Aqui, é possível participar do programa apenas uma vez, a permanência pode ser de seis meses ou um ano. Os EUA, até onde sei, permite que se fique mais tempo. Em alguns casos, acredito, há limite de tempo com a família, mas pode-se reiniciar o projeto em outra família. Aqui na Alemanha não tem essa. É só uma vez e pronto.

Exigências: No meu caso foram exigidos: atestado de saúde, atestado de caráter (alguém que fale sobre ti), atestado de experiência com crianças e atestado de conhecimento de alemão. Para liberar o visto, no caso da Alemanha, é preciso um certificado de conhecimento básico do alemão. Quem não tem (como foi o meu caso) precisa conversar com o cônsul pra mostrar que sabe o básico (não se apavorem, não é ruim, pelo menos meu caso não foi, o cônsul alemão do RS é muito gente fina).

Visto: De novo, varia de acordo com o país. O negócio é ir atrás do site da embaixada do país no Brasil e buscar informações. No caso da Alemanha, tem todos os formulários necessários e informações específicas sobre au pair. 

Escolha da família: Quando nos inscrevemos para au pair, há umas quantas questões a responder, que variam de pessoais até experiências com afazeres domésticos. Uma que tinha no meu e que eu achei linda foi: Tu sabe andar de bicicleta?, porque, sim, aqui eles andam muito de bicicleta. Do mesmo modo, as famílias interessadas em au pair respondem perguntas sobre o trabalho e sobre o tipo de candidato que querem (homem, mulher, fumante, não-fumante, com carteira de motorista ou sem, etc.). A agência faz as comparações e faz o meio de campo entre famílias e candidatos que podem se acertar. É mostrado o questionário de um para o outro e os dois se contatam até entrarem num acordo. Sempre é dada mais de uma opção para o candidato de au pair.

E se não se adaptar com a família? Nunca cogitei essa hipótese e nem ouvi falar sobre isso por aqui, mas em outros países, como os EUA, é possível trocar de família até que se acerte bem com uma. Ou seja, é outra questão pra se ver nas regras do país de destino. 

Guris podem fazer? Podem. Sim, há famílias que preferem gurias, mas não é impossível um guri conseguir uma família com quem se acerte. 

Salário: Aqui na Alemanha o mínimo é 260 €, mas é uma questão estabelecida por cada país. A família, aqui, também deve pagar o vale-transporte.

Trabalho: Não é nada pesado, sempre relacionado à manutenção da organização da casa e ajuda com as crianças. Comparada com as outras au pairs com quem falei até agora, creio que faço bastante coisa: cozinho, tenho horário pra acordar, ajudo no café-da-manhã, passo roupa, varro a casa de vez em quando, troco os lençois dos guris e fico de olho se eles tomam mesmo banho ou só se fazem de malucos. Ou seja, não é nada lá muito exaustivo (quer dizer, ano passado corria do estágio pra universidade e mal parava em casa). Mas conheço au pairs cujo único trabalho é limpar a casa e ficar com as crianças duas horas por dia. 

Curso: A lei alemã garante ao menos duas noites de folga para a au pair estudar. Agora, fazer curso ou não, é opção da au pair, não é obrigatório, mas sempre é interessante. 

Independência: Obviamente que falo pelo meu caso e pela lógica, afinal sempre há casos e casos, mas a au pair é responsável por si. Não tem limitação de horário pra estar em casa e nem tem que dar satisfações disso e daquilo, a menos que tenha influência direta no dia a dia da família. O salário, e talvez por isso na definição esteja como mesada, é para que a au pair compre produtos de uso pessoal (roupa, shampoo, doces...) e no que quiser, não precisa dar explicações. O que a família dá é acertado entre eles e a au pair.

Vida social: Sim, eu fico um bocado em casa e tal e tal e tal, mas eu sou um caso a parte. Com liberdade para fazer o que quiser em horários de folga, pode-se sim ir a festas, por exemplo. Apesar de ficar em volta da família, não se tem uma vida isolada. Um dos benefícios do curso também é isso: conhecer gente nova. Ou seja, varia de pessoa pra pessoa e sua adaptação no país. 

Contato com a família no Brasil: Na Alemanha, a au pair tem direito a até 10 minutos por mês para ligar para a família. No meu caso, ligo quando quero (também não abuso, né), já que a Gastmutter usa um código  que, dependendo do horário, tem o custo de um centavo o minuto. 

Benefícios do programa au pair: Antes de tudo: é o programa mais barato para se ir pro exterior. Tu não tem gastos com casa e comida e ainda tem um salário. Ou seja, só tive gasto mesmo com passaporte, visto e passagens. Vindo como estudante, por exemplo, tem que ir à cata de moradia e, por vezes, não se consegue um emprego, então tem que ter outro meio de sustento. No caso de participantes do Ciências Sem Fronteiras não é ruim também, já que se ganha uma baita mesada pra se manter (muito além do de au pair), mas aí conseguir entrar no programa é outra história, bem mais complicado. Além do mais, como au pair se conhece mesmo a cultura do país, já que se está inserido numa família. Sem falar que se aprende a língua na marra, não tem essa de se safar com o inglês, por exemplo. 

Como fazer? Bom, há várias agências por aí. Meinstre Google pode sempre ajudar, já que nem toda agência tem contato no país que se deseja. Como meu caso foi completamente o inverso de qualquer outro (eu nunca pensei em ser au pair ou fazer um intercâmbio tão longo, mas o convite veio na hora certa e tive mais motivos pra aceitar do que pra recusar), não posso ajudar muito, então o máximo que posso fazer é compartilhar o site que a Priscilla, outra au pair brasileira que tá por aqui, usou: Au Pair World. E nem sempre a au pair precisa pagar pela agenciação, então vale pesquisar bem.

Eu ACHO que é isso. Mas, claro, se ainda houver dúvidas, estou às ordens.

Bis bald!

3 comentários:

Pandora disse...

Esse é o tipico post útil! Especialmente para quem ta procurando informação sobre como viajar para fora!

Dayane Pereira disse...

FOi bom demais saber mais sobre o programa de au pair. Já tive mta vontade de fazer mas acho que au pair pra mim já não seria mais viável, teria que ser intercâmbio estudantil mesmo.

Alê Lemos disse...

Legal isso. Parece ser bem tanquilo de participar, mas mesmo assim acho que não faria kkkkkk.