E eu fui a Paris

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Saí de casa às 5h, pra pegar o trem às 5h32 e encontrar o ônibus da excursão às 6h em Stuttgart. Como a Gastmutter disse que tava 10°C em Paris, quase saí de manga curta, tamanha emoção. Quase. Me fiz de pessoa normal e tudo que fiz foi substituir a bota por meu All Star. Antes de chegar até o fim da minha rua, quase voltei pra desfazer essa troca, já que nas ruas de Böblingen haviam escorregadios vestígios de neve. Mas achei mais legal teimar na minha escolha, já não aguentava mais a bota e, mesmo sabendo que All Star não é o melhor calçado pra andarilhar por aí, quis voltar a pôr um tênis no pé. 

Enfim, me fui às 5h andar pelas ruas alemãs vazias e ainda escuras, sem risco nenhum. Já tinha uns passarinhos cantando, sinal da primavera que sempre me acorda nessas mudanças de horário. Cheguei ainda cedo na estação, sentei no banco gelado e esperei. Cheguei em Stuttgart direitinho e, felizmente, encontrei fácil o ônibus da excursão. Já tava me mandando pro fundão, quando vi que já tinham umas gurias lá, aí fiquei no meio do caminho. 

Nisso entra a Mo (azar, vou começar a usar nomes aqui, senão fica muito difícill), a sul-africana que conheci no encontro de au pairs, dois meses antes. Me cumprimentou e foi cumprimentar as gurias do fundão. Então ela voltou pra me dar um abraço (ela é muito simpática e querida, é incrível), me disse que as gurias eram do Brasil e no minuto seguinte eu tava já lá no fundo e integrada ao grupo que acabou me adotando durante a viagem. As gurias eram a Camila e a Mayara, ambas paulistas, e a mexicana Susan. Salvaram minha viagem.

Praticamente dez horas de viagem num caminho cheio de paradas. Caminho com fotos aqui e acolá, na maioria das vezes por interesse da Mo. A comunicação entre todas era uma mistura de português, alemão e inglês. Aliás, depois de tanto ouvir as gurias falando alemão, até comecei a conseguir falar frases completas em inglês. Fazia tempo que isso não acontecia. Mas enfim, depois de uma gigantesca viagem, chegamos a Paris, fomos para o hotel e saímos em seguida para andarilhar. O guia nos deu um mapa da cidade e alertou sobre o perigo de Paris: evitar andar sozinho, com muito dinheiro e tal e tal, não há muitos policiais, não é a Alemanha. Momento de dizer "ufa, que bom que encontrei as gurias".

Uma hora de idas e vindas no metrô francês, chegamos em algum lugar escuro de Paris. O guia parou para nos servir vinho e suco e falar um pouco do lugar. Não me peçam tudo que ele falou, não faço ideia da metade, tava exausta. Em seguida caminhamos e chegamos até a Sacré Coeur de Montmartre, uma igreja linda. Pudemos entrar, mas estava bem na hora da missa. Nada de fotos lá dentro. Lá fora dava pra ver a Torre Eiffel iluminada, sem falar nas dúzias de vendedores de coisas. Confesso que me apavorei com os ataques deles pra vender tudo. 







Nisso andamos mais um pouco antes de irmos atrás de janta e então voltar pro hotel. No caminho: prédio onde Picasso morou, café do filme "O fabuloso destino de Amelie Poulain" (que revi no ônibus e eu realmente tive certeza de que não sou apaixonada por ele) e Moulin Rouge (outro filme que preciso rever).




Chegamos no hotel pouco depois da meia-noite. Minha me enviou uma mensagem de aniversário logo depois da meia-noite daqui, coisa que a dona Alynne Moreira sempre costuma fazer no Brasil. Fiquei num quarto com a Mo e fomos logo dormir. Acordamos às 7h no sábado para tomar café da manhã (comi até mais não poder) e começar a andarilhar com as gurias. Optamos por fazer nossas próprias andanças munidas do mapa da cidade e do mapa do metrô, em vez de ir atrás dos passeios oferecidos pela excursão. Além de mais interessante, também saiu mais barato. 

No caminho entre o hotel e a estação.
Não pude não me emocionar.

Muitas escolas com o lema iluminista...


Pequeninha. Ela é mais emocionante nas
palavras de Cheuiche. Leiam
"Nos céus de Paris".


Pra mero registro.

Arco do Triunfo.

O Louvre...

Absurdamente gigantesco.


Pavilhão Richelieu. Sim, eu me emocionei.

Pavilhão Colbert. Mais emoção da minha parte.
Culpa do Dumas.

Fiquei que nem criança lá dentro.

E imaginar as histórias do Dumas por aqui...

Enquanto as gurias tavam tirando fotos
em outros lugares...

...tive que voltar e bater mais foto dessa
parte tão linda do Louvre. 

Pra mim é só um mini Portão de Brandenburgo
nos fundos do Louvre. 

Louvre, seu lindo.
A fila pra entrar no museu era enorme, sem falar que ele nos exigiria horas e euros. Nem cogitamos entrar. Fomos à cata de Notre Dame e, no caminho, paramos pra comer algo. O cara que nos atendeu era casado com uma brasileira, então não precisamos forçar nosso francês inexistente. Ah, sim, no Louvre foi o primeiro lugar em que comecei a notar que Paris estava cheio de outros turistas brasileiros. E eu não era a única com jaqueta do Grêmio.

Algum lugar no meio do caminho.
Não me peçam o nome.

Mesma legenda da foto anterior.

Ile de La Cite Conciergerie


Palácio do Comércio

Notre Dame. Mas eu ainda preciso ler o livro.




Adicionar legenda


Aí então hora de ir no Panteão. Depois de ter nos recebido na cidade um dia antes, o sol tinha sumido e só voltou quando chegamos no Panteão. Que fechou em seguida. Já nem fazia questão mais de entrar, mas aí a Mayara resolveu ir também. Retornamos no dia seguinte. Aproveitamos e fomos no Jardim de Luxemburgo.

As tês palavras mágicas do Iluminismo
numa Faculdade de Direito na frente do Panteão.

Panteão, seu lindo.



Palácio de Luxemburgo


Depois disso fomos na Galeria Lafayette, uma loja enorme cheia de coisa fina, porque a Susan queria ver o prédio, que é bem bonito. Sem fotos de lá, lamento. Emendamos com uma volta ao Moulin Rouge, onde jantamos e fomos a um pub irlandês. A cerveja custava uma fortuna, quase o triplo do que aqui na Alemanha. Sem grandes fotos dessas horas (depois roubo todas das gurias e faço um segundo post de fotos). O ponto alto aí foi a surpresa que as gurias me fizeram: compraram cookie, velas, vinhos e copos pra me cantar parabéns na frente do Moulin Rouge. As gurias que têm as fotos de registro. Fica aqui a foto do cartão/postal que elas me deram. 



Chegamos no hotel já tarde, passava da meia-noite. As gurias foram até meu quarto e o da Mo um pouco, aproveitei pra catá-las no facebook e mostrar "Mexico lindo", do Joelho de Porco, pra Susan (eu disse que ia levar o laptop), ela adorou. Só que a visita não foi longa. O fato de termos que colocar nossas coisas de volta no bagageiro do ônibus às 7h30 somado ao fato que naquela noite entrava o horário de verão, que nos faria perder uma hora, fizeram com que fossemos dormir logo. Conta total: 4 horas de sono. 

No outro dia fomos à cata da Rua Alexandre Dumas, que eu descobri no mapa. Fomo à cata mesmo, já que ela ficava num canto esquecido da cidade. Nem vou comentar. Perto dali ficava o Cemitério Pere Lachaise, um dos tantos cemitérios de gente importante de Paris. Lá estão, entre outros, Balzac, Chopin e Jim Morrison, o único de quem fomos atrás, já que a Camila queria ver e eu queria tirar uma foto pra Naty Barea.

Ficamos uma hora no cemitério andando pra lá e pra cá a cata. Todas as pessoas pra quem perguntávamos estavam a cata também. Até que encontramos um cara com um mapa que estava indo exatamente pra lá. Mais meio mundo de caminhada e achamos. Não tinha um castelo como imaginamos e nem dava pra chegar perto. Quanto tirei a bandeira do Brasil pra tirar a foto pra Naty, nosso 'guia' disse que sabia um pouquinho de português e desejou bom passeio pra nós. 

Dumas dá nome a estação da região da rua.


Ainda acho pouco, mas melhor que nada.

Cemitiere Du Pere Lachaise

No meio do gigantesco cemitério.

Depois de muito andar...

Voltamos ao Panteão e não tinha fila nenhuma pra entrar. O passeio foi mais rápido do que imaginei. Me indignei com o fato de Dumas estar enterrado com o Victor Hugo (ok, eles eram amigos-rivais) e o nome dele estar praticamente apagado. Detalhe: ele tá lá só há dez anos, muito menos do que o Hugo, mas ok. Tudo se salvou quando vi os quatro mosqueteiros pra vender na lojinha do Panteão. A Mayara tirou uma foto do momento, mas, pra variar, não tô com ela (ainda). Ah, se em Berlin fui reconhecida como brasileira pela jaqueta do Grêmio, aqui fui reconhecida como argentina(?). "Grêmio, Argentina!"

Dentro do Panteão.





Miniatura do Panteão.

Rousseau

Voltaire


Uma das mil tentativas da Mayara
pra aparecer o nome do Dumas. 
Meus mosqueteiros comprados no Panteão.

Tchau, Panteão. 
Aí resolvemos voltar a Torre Eiffel. Era nossa intenção ter voltado na noite anterior, mas estávamos podres demais pra isso. Acabou sendo sorte, já que fiquei sabendo que interditaram ela por ameaça de bomba (meu pai me perguntou o que eu tinha feito via sms, tal como a Ju Bevilaqua via facebook). Quis tirar fotos olhando pra Torre só pra comprovar pros guris que tô usando o fabuloso presente que eles me deram (o bico-de-pato). Acabou que a foto nem saiu tão boa e que as gurias adoraram a 'ideia de foto'. 


A simpatissísima Mo

Um monumento à Lady Day perto do
lugar onde nos despedimos de Paris.

E foi isso. O que eu achei de Paris? Bonita. Só isso. O mais legal da viagem foi mesmo a companhia das gurias. Sem elas eu teria me ralado por lá pelo simples fato de que não me senti bem na cidade. Não sei se foram os avisos de cuidado, não sei se foram os meus resmungos antecipados, não sei se foram aqueles  dois sustos sem-graça que eu e a Camila levamos de dois parisienses a custo de nada ou se foram os atacadores de turistas, digo, vendedores. O fato é que Paris nunca foi um sonho pra mim e nada do que vi lá me deslumbrou a ponto de eu dizer que eu me encantei. Os parisienses também não são apaixonados pelos turistas e não os culpo por isso. Ok, foi legal conhecer o Louvre e comprar miniaturas dos meus amados mosqueteiros, mas não sai de lá pensando "preciso voltar", como em Berlin. Ou seja, vou ficar mesmo pela Alemanha esse ano. Me sinto à vontade pra andar sozinha e me emociono com cada esquina. Sem contar que a cerveja é barata.

Aproveito pra agradecer as dezenas de "parabéns" que recebi via twitter, facebook e e-mail. Geralmente não ligo pra isso, mas a maior parte deles foi além de um simples "feliz aniversário", sem falar nos que fizeram questão de me parabenizar atrasado. 

E, pra finalizar, duas fotos. Uma especial pro jogador de rugby do meu facebook, o Marlon, e a outra que deu uns pontos pra Paris: cartazes do Bruce Willis, tal como em Berlin. Aliás, lembranças à Alexandra, que foi comigo ano passado no cinema ver Looper



Bis bald!

6 comentários:

Pandora disse...

Só esses mosqueteiros já fizeram Paris valer a pena Ana! Lindos demais, um dia eu vou tirar fotos com eles como fiz com o Wolverine da Vaneza!!!

Achei perfeita a sua foto diante da Torre Eiffel, ficou legal demais e a explicação dela também!!!

Ah, suas amigas são lindas, vi umas fotos delas nas quais tu está marcada.

Cheros Nega!!!

Lúcia Soares disse...

Ana, falam tanto de Paris, mesmo, principalmente nós, os brasileiros, que também tenho receio de não me encantar por ela (a cidade) quando - ou se - um dia for visitá-la. Não sei porque valorizamos tanto a Europa, diminuindo-nos.
Claro que há anos de diferença entre os continentes, ainda temos muito que caminhar para nos equiparar, em matéria de segurança, de política (nem tanto...nem tanto), de cultura, de educação (a acadêmica). Enfim, amei as fotos, lugares lindos, sua visão, sua emoção.
Beijo!

Family More disse...

Nada paga a minha quebra na tradição dos parábens a meia-noite, eu sei. Vou levar isso pro tumulo...
Adorei as fotos, quero conhecer toda a europa e ter o luxo de falar que preferi aquele país a outro :)

Pandora disse...

Acho que eu estou virando uma fã da Allyne, essa tirada dela: "...quero conhecer toda a europa e ter o luxo de falar que preferi aquele país a outro..." foi perfeita shuashuas

Alexandre Melo disse...

MEU DEEEEUS!! Meu sonho é ir a Paris. Que lugar perfeito! caracas! Adorei teu álbum de viagens! *_*

Ana Carolina Lima Da Rosa disse...

AAAAAAAAAH, que linda tuas fotos *---*