Antes de sumir

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Bom, vamos começar falando do resto do tempo que passei em Leipzig. Continuou chovendo. Não parou nunca. Mas eu não morri e fui no museu com a Juliana e o Dominik, a colombiana e o alemão que estavam comigo no quarto. Eu achei que era o museu ali pertinho do hotel, mas na verdade era uma "filial", na cidade vizinha. O museu é sobre a polícia secreta da DDR na época do comunismo (Leipzig, tal como Dresden, Cheminitz - a cidade do Karl Marx e da minha família, e outras ficavam desse lado). A diferença desse museu pro que tinha perto do museu é simples: na verdade era um esconderijo desse serviço secreto, com radioatividade e tudo mais. Pra resumo da história, o aviso era "você está entrando por sua conta e risco" e o guia é estudante de Química. Um bocado interessante. 

Cada um foi pro seu lado. Eu voltei pro hotel. Afinal, já tinha me molhado tanto aquele dia e minha garganta e meu ouvido já doíam antes, que não podia vacilar. Comi algo, tomei um banho quente e me enfiei embaixo das cobertas. Dormi antes do que imaginava e acordei hoje de manhã com vontade de ficar um pouco mais na cama. Continuava chovendo, mas tinha me decidido dar mais uma volta pela cidade pra ver o que eu não tinha visto, como o Museu e Arquivo de Bach. Não que eu seja baita fã dele, sou um zero à esquerda em música clássica, mas eu tinha que dar uma olhada. No fim tava fechado, mas ok, não sei se entraria de qualquer modo. Também pude fazer uma foto melhor na Thomaskirche. Aí fui-me pra estação à espera do meu trem pra Dresden. 











Cheguei em Dresden e nada de chuva. Mas isso não significa que o tempo estava bom. Enfim, resolvi ir pro albergue, largar minhas coisas, pegar um mapa e, então sim, andarilhar. O mapa é uma merda, diga-se de passagem, mas na falta de um melhor gratuito, dá pra se virar. Aí fui direto pra região da Frauenkirche, que é o principal ponto da cidade. Ao redor, o castelo de Dresden e outras tantas construções bonitas. Todas destruídas pela bomba que acabou com 90% da cidade no final da segunda guerra mundial (e matou mais gente que a de Hiroshima). 

Quando dei quase a volta completa, tava tentando decifrar uma placa e entender o local, uma senhora me mostrou como funcionava (reproduzia sons e tal, marca o lugar em que o pessoal comemorou a queda do muro). Aliás, ela me fez um tour completo então. Voltamos aos lugares em que eu havia passado e ela me mostrou coisas que eu tinha deixado passar, sempre me contando um pouco da história e me repetindo sempre: "Isso tudo é reconstrução, tudo foi destruído pela bomba. É, os americanos fizeram um bom trabalho de reconstrução". Há detalhes ainda sendo restaurados, mesmo depois de tanto tempo. Mas o trabalho foi tão bem feito, que é quase impossível acreditar que por aqui passou uma baita bomba. Um dos exercícios que fiz foi tentar imaginar o silêncio ensurdecedor pós-bomba e os escombros. É um negócio impressionante.

Além disso, a senhora também me levou cafés adentro (e eu já com fome) pra me mostrar detalhes e contar mais um pouco de história. Me mostrou a especialidade de Dresden e, claro, depois tive que voltar pra comer. Enquanto me despedia, um casal de brasileiros me pediu pra bater uma foto. Então ela me pediu como eles sabiam que eu era brasileira, aí expliquei a questão futebolística da minha jaqueta. Enfim, essa senhora e esse cenário cheio de história me fizeram ficar encantada com Dresden. 

Amanhã vou retardar ao máximo minha saída do hotel e vou tentar dormir a valer, afinal, passarei, possivelmente, a próxima noite em claro, antes de ir pra Nürnberg e, então, voltar a Böblingen. Ou seja, provavelmente sumirei, já que estou sem internet na casa da Gastfamilie sem tempo determinado. E eu acho que era isso. 

Teatro



Castelo de Dresden













O maior mosaico do mundo. Uma das poucas coisas
que resistiu à bomba.

Entrada pro castelo


Uma área foi coberta pra possibilitar eventos e,
assim, angariar fundos pra restauração



Miniatura do castelo

Imagens do castelo destruído.

Da construção original










Academia de Dresden







Frauenkirche. Os pedras pretas são as originais
reutilizadas.



Dentro da igreja.

E não podia fotografar.



Olhem aí o Luthero.



Uma igreja bem conhecida por seu coro de meninos





Das ruínas da Frauenkirche

Uma das casas da amante do rei - que
era mais inteligente que ele. 


E virou um café.

Olha aí o bolo local. nham nham

E a cerveja local, no albergue. Não resisti. 

Bis bald! 
(Lembrando que pode demorar tempos)

2 comentários:

Family More disse...

adorei o lugar e principalmente a história, tenho meio que uma fascinação pela 2ª guerra. Tu sempre encontrado pessoal super legais por ai! Espero que não demore muito pra atualizar e boa viagem de volta!

Bruna disse...

(To lendo do fim pro inicio, eu sei)
Ainda to boba com essas construcoes!
Legal mesmo, ainda mais com uma guia turistica de brinde ne =p