Eu devia ser uma pessoa normal

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Essa não é a primeira vez que concluo isso, obviamente. Especialmente pros lados de cá. Por exemplo, quando a professora vem com papo de gramática em alemão, eu tenho certeza que eu jamais vou aprender essa língua e que devia ter sido um ser normal que se interessa por inglês. Mas ai vem alguém e me diz que meu alemão é bom, especialmente se levar em conta que estou aqui só há quatro meses e que só falava português no meu curso de alemão em Caxias. 

Enfim, o fato é que fui pra Gelsenkirchen, me apaixonei pela Veltins Arena e, depois, retornei parte do caminho a pé. O fato é que a cidade me espantou. Parece meio esquecida, tudo em tons de marrom, cinza ou cores desbotadas. Até adiantei minha vinda pra Dortmund. Ok, o tempo tá uma merda desde que acordei em Colônia, então pode ser um pouco por isso meu desânimo hoje.

Aí vim pra Dortmund pensando que Gelsenkirchen deve ser uma cidade solitária ou sem grandes tumultos. Cheguei aqui no hostel em Dortmund e vi um postal com imagens de várias cidades, inclusive Gelsenkirchen e Dortmund, dizendo que é uma região extremamente industrial. O que me explica o fato do cara do hostel em Colônia ter dito que Dortmund não era bonita, mas explica especialmente porque não há um mapa pequeno, bonito e barato como tinha em Colônia pra eu comprar. E também não tinha em Gelsenkirchen. Sim, eu sou mais feliz com mapas pra me guiarem.

Enfim, cheguei a Dortmund e me arrastei até o Signal Iduna Park na esperança de me animar e surtar de vez. Nada. Ok, é um estádio bonito, mas não pude olhar muito. Extremamente cercado. E ainda cheguei nele pelos fundos, o que me deprimiu mais, porque eu não conseguia ver nada. Achei a frente, mas continuei não podendo ver muito. Nada de ficar dando volta no estádio e surtando de emoção. Aí vim pro albergue. Tenho fé num tempo melhor amanhã e, como só vou na metade da tarde pra Bremen, tenho tempo pra dar umas voltas.

Mas deixa eu registrar minha emoção com a Veltins Arena. Estava tendo uma feira para “jovens com mais de 50”, então pude entrar pra dar uma olhadinha, mas basicamente só consegui ver o teto, já que tava cheio de barracas e eu não ia pagar ingresso pra entrar na feira. Mas ainda pude dar uma volta bonita ao redor do estádio. Tão simpático! Eu queria ter comprado ao menos um chaveirinho lá, porque gostei mesmo do lugar, mas a loja não tava aberta. O museu do Schalke 04 tava aberto, assim como o do Borussia Dortmund (aliás, a cidade é apaixonada pelo time, tem em todo lugar o símbolo, até aqui no hostel), mas não entrei em nenhum dos dois. Não estou esbanjando dinheiro, afinal.

Uma coisa bonita que vi na Veltins Arena foi o “Tausend-Freunde-Mauer”, ou Muro do Milhão de Amigos, que é uma homenagem recém-feita (inaugurado em 2013) aos judeus que morreram na guerra. Na área central eles dão destaque aos jogadores, patrocinadores e funcionários do Schalke que, na época, sofreram com o nacional-socialismo. E é um negócio gigantesco. Tive que andar muito pra trás pra conseguir uma foto toda. Tem nomes e mais nomes. Achei uma homenagem bem pensada. Já no estádio do Borussia, o que me decepcionou foi a sujeira. Nunca vi um lugar na Alemanha tão sujo como aquele. Ok, deve ter tido jogo no fim de semana e tal, mas, bah! Fiquei chocada.

Pra não deixar o post ilógico, explico: assim que cheguei entendi porque por aqui Dortmund não é tão comentada, ao contrário de Düsseldorf (cidade do Die Toten Hosen, aliás), e aí me convenci que a razão de eu achar que ela era super pop é a minha nóia futebolística. Tal como achei que a primeira relação de todo mundo com as palavras “Laranja Mecânica” era a seleção holandesa, achei que Dortmund era uma das principais cidades alemãs. Parece que não, pelo menos não pra turistas. Essa impressão deve ser culpa da Copa de 2006. Porcaria. Eu podia ser uma pessoa mais normal. Quer dizer, eu saio de Caxias que não tem porcaria nenhuma e que quer atrair a Copa (quem tem dinheiro, leva, é o que parece. Caxias tem chance, então), pra vir pra Alemanha atrás de cidades que só tem prédios e pessoas sérias demais? Enfim, vamos ver se Dortmund me conquista amanhã. Se não conquistar, depois vem Bremen e muito mais. Só espero que o sol retorne ou, ao menos, que a chuva não se esbalde na minha trilha.

Uma observação final: nunca vi tantos punks (com cabelo colorido e moicano de verdade) e cabeludos em um só dia. Não aqui na Alemanha. Parece que todo ser que não tem o cabelo colorido e não tá gritando, tem cabelo comprido e tá vestindo uma camiseta de banda com letras góticas. 

As fotos, pois:


Olha o teto!

"Porque isso é a nossa vida"




Uma igreja bonita na cidade cinza de Gilsenkirchen.


O precursor da indústria em Gelsenkirchen


Entenderam do que eu falo?

Musiktheater de Gelsenkirchen.

Estação linda do Musiktheater.

Minha última visão de Gelsenkirchen

Minha vista assim que cheguei no estádio do Borussia.





Sujeirada.

Estação central de Dortmund

Ok, acho que vou aproveitar e dar uma volta sem mochila aqui ao redor do albergue. Boa sorte pra mim.

Bis bald!

Acabei de criar vergonha e ir dar uma volta ao redor do albergue. Não sei se é porque o céu clareou ou se foi a falta da mochila, mas Dortmund se redimiu comigo. Só não estou andando por aí porque amanhã tenho hora pra sair do albergue e até a hora de embarcar pra Bremen tem muito tempo. E não há muito o que ver.

3 comentários:

Tita disse...

Bah, verdade... cidade boa pra ficar em casa lendo e ouvindo música kkk
Em lugares assim eu ia procurar uma boa cafeteria pra tomar um café. Mas como vc prefere cerveja...

Lúcia Soares disse...

É, Ana. A cidade é meio sem gracinha. Mas igualmente interessante. O melhor é que você pode ver, in loco, que há coisas que são comuns a todos os países (como a sujeira, depois de um evento). rs
A igreja é linda, aliás, como todas (quase) pelo mundo afora. Nunca entendi essa megalomania da igreja, principalmente a católica (sou dela), sendo que o que mais Jesus pregou foi a humildade.
Continue com bons passeios.
Beijo!

Pandora disse...

A cidade pareceu meio melancólica e esse céu cor do chumbo ein?!?! A Igreja é linda, amo igrejas e os estádios também me parecem incríveis!