Oh, Dortmund

terça-feira, 21 de maio de 2013

Hoje o dia começou com sol, felizmente. Isso e o passeio que tinha feito ontem, sem dúvida, me animaram. E, pra me alegrar mais ainda, no albergue tinham mapas gratuitos da cidade. Que beleza! Olhando o mapa, lembrei que Dortmund era a cidade que tinha me conquistado por ter tudo perto, nada de precisar ficar andando de um lugar pro outro, de estação em estação. Até perto demais. Vi tudo rapidinho, então tive que dar umas enroladas.

Vi as bonitas igrejas que tem por ali, mas só entrei em duas, que eram as que eu vi que tavam abertas: a Propsteikirche e a Reinolkirche. Devo dizer que perdi noção de tempo dentro delas, posso dizer que fiquei dez minutos e, na verdade, ter ficado meia hora. Não porque tivesse muitos detalhes pra olhar. Não, elas eram bem simples. Eu simplesmente entrei, sentei e fiquei olhando pro altar enquanto pensava na vida. 

Fui criada no catolicismo, fiz catequese e tudo mais. Minha mãe é a mais devota da família e eu a acompanhei muitas vezes em missas de quaresma e tal. Hoje já não vou mais tão frequentemente em missas, pelo simples fato de não me sentir mais confortável com elas. Fui numa em Böblingen e, mesmo não entendendo metade do que foi dito, me mantive desconfortável. Discordo em muitas coisas da Igreja Católica, tal como a confissão (creio que, se tu não se perdoa por algo, não é um padre que vai te sossegar e, se tu já se perdoou, orações são desnecessárias – nessa parte, acho mais válida a consciência de cada um), e me angustia essa visão de que “Deus castiga”. Tenho cá minha própria fé, bem mais positivista, baseada numa coisa que minha mãe sempre diz “o que tu faz pelos outros, te vem em dobro”. Sem discussões religiosas, o que quero dizer simplesmente é que fiquei olhando pros altares e pensando que, de fato, devo ter feito algo bom nessa vida pra ter um ano como esse. 

Como Dortmund não é uma cidade turística, no meu roteiro, baseado no site da cidade, estavam fontes e esculturas. Como vi tudo muito rápido, acabei indo a um lugar do qual tinha quase aberto mão: Castelo Hörder. Acabei num lugar muito simpático, Hörder, que imagino que seja um bairro-vila, tipo Ana Rech (bairro de Caxias que até pouco tempo atrás era distrito). Quase esqueci do castelo. Mas vi um mapa do lugar na minha frente e resolvi averiguar. Mas foi só pra olhar mesmo. Parece que tem um museu lá, que só abre na primeira quinta-feira de cada mês, se não for feriado. Além disso, claro, provei o produto local: Dortmunder Thier Pils. 

Sobrou mais de hora antes do meu trem pra Bremen. Fiquei vegetando na estação. Ou melhor, lendo. E o trem atrasou. Vinte minutos. E é a Alemanha. Por sorte o trem era direto e eu não precisava parar em outra cidade pra pegar outro. Aí cheguei em Bremen e está chovendo. Vim pro albergue. Demorei uns dez minutos pra acha-lo. Cá estou. E com medo. O recepcionista fica jogando videogame. A porta do banheiro não tem chave (vou deixar pra tomar banho amanhã, em Hamburgo, obrigada). Cheguei no quarto e tinha um cara deitado numa das camas suspirando eternamente. Quando parou de suspirar, começou a cantarolar horrivelmente. O café da manhã é só às 9h. Mas ok, é barato. E tem mapa de graça. Vejamos o que acontece amanhã.






































Observações:

- Eu ia legendar as fotos, mas como demorou muito pra carregar, desisti. 

- Eu não ia colocar fotos com a minha cara, mas, como o Gurizinho não se interessa por outras, coloquei.

- Eu esqueci de registrar que, na saída de Colônia, fui "entrevistada" pra uma rádio sobre andar de bicicleta. Devo ter um negócio que atrai esse tipo de coisa, não é possível. 

Bis bald! 

4 comentários:

GrazieWecker disse...

Mas putz, 20 minutos de atraso já é de angustiar também!
e deve ser uma experiência e tanto ficar nesse tipo de albergue!

Pandora disse...

Uma vez escrevi um post sobre a Matriz da Boa Vista, uma das igrejas que mais gosto aqui do Recife e uma pessoa - que nem lembro quem foi - comentou algo que guardei para mim: "um TEMPLO é feito para a gente poder refletir em PAZ. Silêncio. Uma pausa para nós mesmos.".

A proposito, será que jornalistas tem além do faro para a notícia faro para encontrar outros jornalistas??? #QuestãoExistencial

Curti Dortmund

Lúcia Soares disse...

Ana, uma beleza de lugar, tão característicamente europeu.
Fico pensando nesses lugares, em meio às guerras.
Que vida horrível devem ter vivido os que passaram por uma. (tanto as mais recentes quanto as tantas outras, pois houve época em que se guerreava até como "passatempo".
Gostei muito e acho que deve sempre mostrar sua foto, para sua mãe ficar mais tranquila.
Além do mais, você é muito bonita e enfeita a foto!
Sei lá, só o que me dá um certo medo são esses albergues. Mas fazem parte da aventura.
Beijo!

Lúcia Soares disse...

Ah, sabe da crendice popular que diz que, ao entramos em uma igreja pela primeira vez, "temos direito" a fazer 3 pedidos? Então, faça-os, com fé. A emanação positiva leva as preces mais rapidamente para "os céus", deve ser. rs
Da minha parte, lhe digo que sempre deu certo, pra mim. E, graças, raramente faço pedidos para minha pessoa, mas para alguém em especial, que esteja passando por algum problema ou necessidade.
Quando não me ocorre nenhum pedido, agradeço, agradeço, agradeço.
Beijo!