Sobre as ruas de Böblingen

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Depois de posts de viagem e posts com algum debate, vamos voltar à normalidade (leia-se posts não-emocionantes). Faz tempo que quero fazer esse, mas vivo me enrolando. Não sei se é meu apego por cartas, mas esse negócio de endereço sempre me chamou atenção. Talvez eu já tenha dito aqui, mas por garantia:

- Na Alemanha, toda rua começa com a casa número 1. E é tudo organizadinho: de um lado as casas ímpares, do outro, as pares. 

- O que seria nosso CEP no Brasil, um pra cada rua - ou um pra cada cidade pequena -, é um número que, pelas minhas conclusões, equivale a um nome de bairro. Ainda não descobri ao certo, até agora já vi uns três em Böblingen. E não tem nada de mil números, são só cinco dígitos.

Dadas essas informações gerais, vamos nos focar nas pequena-grande cidade em que estou morando. A primeira coisa que me chamou atenção foi o fato de praticamente toda rua ter junto à sua placa a justificativa do seu nome. Tomando como exemplo a Mozartstrasse (ou Rua Mozart), a placa traz o nome completo do Mozart, ano de nascimento e morte, e profissão. Exemplos (tirei essas fotos há séculos, numa volta de meia hora):

Friedrich Hölderlin, poeta

Josef Haydn, compositor

Ludwig van Beethoven, compositor

Wolfgang Amadeus Mozart, compositor

Joseph Viktor von Scheffel, poeta

Franz Grillparzer, poeta

Gustav Schwab, poeta

Christoph Martin Wieland, poeta

Ferdinand Graf Zeppelin, inventor do "dirigível navio de ar"

Friedrich Hölderlin, poeta

Rainer Maria Rilke, poeta

Emmy Noether, matemática

Robert Wilhelm Bunsen, químico

Johannes Gutenberg, inventor da impressão de livros

Alexander von Humbold, pesquisador natural,
Wilhelm von Humbold, político e reformista prussiano

Robert Bosch, industrializador pioneiro

Werner von Siemens, criador da eletrotécnica

Elsa Brändström, auxiliadora dos prisioneiros da primeira guerra mundial

Meigo, hein? Pois é, isso me emocionou um bocado em Böblingen, apesar de ainda não ter encontrado uma rua chamada Hesse. E, sim, a Alemanha tem muitos poetas.Se eu fosse apegada a poesia, saia com um bloquinho anotando o nome das ruas. Mas não é o caso. 

Agora vamos ao lado maluco das ruas daqui. Até ontem, aliás, eu achava que era um problema geral das ruas alemãs, mas conversando com a minha professora, ela disse que Böblingen que é especialmente complicada. O negócio é que as ruas fazem tudo que é tipo de curvas e tu nunca tem noção de onde vai parar. O pior: se tu pega a rua errada, é capaz de acabar de andar quinze minutos procurando o fim da rua e, quando finalmente chegar lá, descobrir que está do outro lado da cidade. (Já aconteceu comigo.)

O único meio de eu mostrar isso é através do meu mais recente amigo, o Google Maps. Vejam as quatro opções para ir daqui até a parada de ônibus pra ir pro curso. 

Caminho 1: 

Esse seria o caminho que eu originalmente usaria: através de ruas e ignorando as passagens que há por aí. Ou seja, uma meia hora de caminhada.


Caminho 2:

Esse seria um caminho já com um pequeno atalho: uma escada que sai numa outra rua, que aí sim sai numa das ruas do caminho 1.


Caminho 3:

Esse foi o primeiro caminho que usei. Iria usar o caminho 1, se eu não tivesse feito o caminho contrário, arriscado entrar numa rua e subir uma escada que parecia não ser privada (ainda estava desconfiando desses caminhos para pedestres), me descobrindo em casa num instante, não descobriria que por esses lados chego em uns 20 minutos na parada. 


Caminho 4:

Sempre que ia por esse caminho, no fim das escadas, via que do outro lado da rua também tinha uma pequena escadaria. Um domingo tirei pra averiguar esse caminho (vai que ele acabasse em um buraco negro e fizesse eu perder o ônibus) e eis o que descobrir: em menos de 10 minutos eu estava na parada de ônibus. 


Entenderam agora o que eu quero dizer quando falo que Böblingen é um labirinto? Vejam isso! Claro que, desde essa descoberta, só usei esse caminho. Isso inclui a ida às 4h30 pra Stuttagart encontrar a excursão pra Paris e a volta da viagem gigantesca pela Alemanha quase às 23h. Fotos das escadas e do caminho entre a rua em que moro e as escadas:



E sim, a iluminação não é 100%, mas isso é a Alemanha, né, gurizada? 

Como a outra Au Pair me disse que às vezes ia pro curso a pé, pedi uma ajuda pro meu novo amigo Google Maps e, modificando aqui e acolá, eis o caminho que descobri e que faço sempre em cerca de meia hora (ou seja, o tempo do caminho 1 até a parada de ônibus) economizando um bom dinheirinho. 


Ok, eu sei que ninguém vai se emocionar com esse post, mas eu precisava fazê-lo pra ser feliz. 

Bis bald!

3 comentários:

Family More disse...

me perderia facilmente ai (mylla com certeza se perderia e ficaria chorando jogada numa escadaria). Mas achei super interessantes essas entradinhas. Se fosse em londres ia falar que tu ia acabar entrando no beco diagonal sem querer

Allyne Araújo disse...

muitos caminhos, daqueles em que cada um significa uma viagem.. pra quem gosta de aventura é legal, mas é quem tem q estudar e trabalhar todos os dias.. ahhhh, deve ser muito ruim. bjossss

Pandora disse...

Essa cidade parece meu bairro, vc sobe, desce, vira aqui, ali e pode ir parar do outro lado do Recife se brincar shausahus... Parece brincadeira, mas...

Adorei esse post, leve, coisa do cotidiano, da cultura local.