Alles hat seinem Grund

sábado, 20 de julho de 2013

Denn alles hat seinem Grund
Porque tudo tem sua razão
Wo wollen wir mit uns noch hin?
Onde queremos ir com a gente?
Wir können nicht gehen und wir können nicht bleiben
Nós não podemos ir e não podemos ficar
Uns fehlt die Kraft, selbst zu entscheiden 
Não temos o poder de decidir
Wann und wo unser Weg zu Ende ist
Quando e onde é o nosso fim


Uma coisa que minha mãe sempre me disse é que as coisas acontecem por alguma razão. Não no tom de "Deus castiga!" que a Igreja Católica tanto diz nas entrelinhas, talvez mais no tom dos espíritas, de que há alguma razão pra aquilo acontecer, há algo a aprender. Ou, fugindo de questões de fé, seja na crença de destino. Tudo já está pré-destinado. A verdade é que sempre quis acreditar que as coisas acontecem porque têm que acontecer. Sempre quis acreditar que os dias seguintes trariam uma compensação ou uma explicação para o que aconteceu de ruim. Só agora acredito. 

Já me disse isso em cartas que os Correios perderam, em conversas de facebook e em e-mails a bons amigos: só ao chegar aqui, do outro lado do mundo, é que percebi quão ruim estava. Dormia no tom de "acabou mais um dia, se acordar amanhã, vamos ver o que acontece" e acordava me dizendo "putamerda, tenho mesmo que levantar?". Leiam tudo isso no tom de sarro, não dramático. Esse post não é pra ser uma novela mexicana. Enfim, nesses dias eu me perguntava: "Ok, quando é que as coisas melhoram?". Não que tudo na minha vida estivesse monstruoso, mas certas coisas ruins pesavam mais que as boas.

O que quero dizer, é que agora eu acredito que tudo tem uma razão de ser. Estou tendo um baita ano e a única razão que encontro pra isso é o que aconteceu pós-viagem. Sabe quando as coisas estão tão caóticas e tu já não sabe se está mesmo fazendo tudo certo ou se está com uma visão errada das coisas? Aquele momento em que tu desconfia de si mesmo? Pois bem, hoje eu me digo: "Devo ter feito algo certo, afinal, ou não estaria tendo esse ano."

As pessoas me dizem que a viagem vai me fazer voltar mudada e, até agora, a maior mudança que tive foi espiritual e simples: tranquilidade. Há muito não me sentia assim. As pessoas dizem que vou voltar mais madura, mais 'sábia' e maiores respostas que tive até agora foram: "Sim, minha mãe é louca por ter tido três filhos"; "Sim, agora eu vejo que minha mãe realmente ficava feliz por chegar em casa e ver que eu tinha limpado a casa por livre e espontânea vontade"; "Sim, minha mãe sofreu com a minha mania de não fazer nada do que ela mandava e ficar lendo". É, não são respostas que me trazem um crescimento pessoal grande, mas são respostas que me dão mais um motivo pra tranquilidade, afinal, nada me fez acordar com motivo de culpa e me remoer pelo que fiz ou não. 

Acho que a coisa mais certa que fiz foi não fugir dos meus problemas. Mesmo não tendo muito poder para resolvê-los, eu não virei as costas pra eles. E acho que esse é o maior problema hoje em dia: covardia. Covardia para encarar problemas. Covardia para olhar pras próprias falhas. Covardia para assumir o que se quer. Covardia para assumir que se é feliz. Não, não sou um exemplo de pessoa, só estou registrando o que percebo, o que interpreto, o que acredito. 

É lamentável ver pessoas se preocupando com os problemas dos outros em vez de olhar pros seus. É lamentável ver que as pessoas apontam para os outros e não se olham no espelho. É lamentável que pessoas se prendam a certas paranoias e não assumam que algo lhe faz feliz. É lamentável que alguém carregue uma culpa maior que si e não se dê o direito de ver o lado bom da sua vida. As coisas acontecem porque têm que acontecer e quanto mais ignorarmos isso, pior será. Acordaremos do nosso mundo ilusório e veremos o quanto perdemos e o quanto temos que correr atrás pra tentar mudar. Se acordarmos.

Só que, o pior de tudo, é esperar pelos outros. Não podemos esperar que os outros nos perdoem por nossas falhas. Não podemos esperar que os outros percebam nossas dores. Não podemos esperar, simples assim. Outra das coisas que minha mãe sempre disse é: "A gente faz as coisas pra gente, não para os outros". Não, isso não é uma perspectiva egoísta. Isso quer dizer que o que a gente faz de bom ou ruim, a gente faz pra nós mesmos, é a nossa consciência que vai carregar, é para nós que o resultado vai voltar. 

Se há algum segredo para a felicidade, talvez esteja perto de ser esse: fazer o que nos faz bem e nos deixa de consciência tranquila. Perceber que somos humanos, que não podemos ser perfeitos, reconhecer os nossos erros antes de perceber que os outros assumam os dele. Não fugir das coisas ruins que acontecem nem deixar de aproveitar as coisas boas. 

Pelo menos é assim que eu vejo. Pelo menos é assim que funciona pra mim. Pelo menos é a explicação que eu encontro para o ano que estou tendo. 

Não vou me decepcionar se não ouvir as pessoas dizerem que voltei mais madura ou bonita (que é o que todo mundo espera dizer para quem passou um ano longe), aliás, acho que vou me angustiar se me disserem essas coisas. O meu maior ganho é meu, é para mim: a tranquilidade. Desculpem, não é algo que eu possa compartilhar, não é algo que me faça esquecer as atitudes erradas de quem teve os mesmos problemas que eu, não é algo que me faça chamar de amigo cada um que eu encontre na rua, e, infelizmente, não é algo que eu possa dar àqueles que tiveram os ouvidos enchidos com os meus problemas. É algo que simplesmente me faz ver que não tenho uma forma tão errada de pensar e agir, possivelmente bem diferente do resto do mundo, mas não errada. 

Mas também pode ser que eu tenha sérios problemas psicológicos e esteja com uma visão tão distorcida que isso tudo não passa de ilusão. Nunca se sabe, hein?

Bis bald!

Caramba, minha intenção era um post meigo sobre qualquer coisa banal, já que nesse fim de semana estou quietinha em casa (semana que vem, Munique), mas as últimas grandes conversas que tive, desde quinta, rodaram em torno disso. Não tive como evitar. Entschuldigung.

2 comentários:

Erica Ferro disse...

Não tenho nem muito o que dizer, visto que hoje passamos uma hora e quinze minutos falando de um bocado de coisas meigas e terapêuticas e, entre tantas coisas, falamos dessa tranquilidade que você tem sentido, de como o ano está sendo bom pra você, de como você pôde perceber a diferença de estado de espírito em que vivia nos últimos tempos de Brasil e no estado de espírito que vem vivendo agora.
É muito bom poder conversar com você, ouvir mais de você, do que você sente e pensa, saber que está bem, que está tranquila e por que não dizer feliz?
E creio que nós duas estamos felizes e tranquilas em relação uma com a outra. Estamos nos entendendo melhor. Ou melhor, eu estou te entendendo melhor. É bom ser sua amiga, Seerig. Muito bom. E sei que você sente amizade por mim também, tanto por nosso histórico quanto pela aproximação e confiança que você tem depositado em mim, como na conversa de hoje. Foi bom te ouvir, bom conversar sobre a sua vida, bom conversar da minha vida, etc. Precisamos conversar mais vezes por voz. Não que seja melhor do que via texto, mas é diferente. Passa uma energia um pouco diferente.

Enfim... É isso.
Volte para o Brasil, linda como sempre, encantadora e sensual como sempre, com essa voz sexy que seduz os caras loucamente. ;)
Sim, tudo isso que eu disse é em vão. Você não se deixa iludir por elogios (embora os meus sejam sinceros) e tudo isso não pesará na sua volta ao Brasil (o que pesará é o amor que você deixou aqui à sua espera). HAHAHAHA
Não tinha como não terminar esse post com um avacalhamento.
E, claro, você vai voltar pra me apresentar Caxias e alguns gaúchos que eu tanto gosto.

;)

Lúcia Soares disse...

Ana, isso é maturidade, moça.
Você está se encontrando.
Nçao que não vá "se perder" mil vezes pela vida, ainda, mas é assim que caminhamos. Sempre constatando coisas que parecem óbvias para uns e a gente ignorava, ou vice-versa.
Viver é ir descobrindo a vida, passo a passo.
O estar longe da família, o cuidar-se sozinha, sem ninguém para tolhê-la (ainda que seja por excesso de amor), o despertar para outras possibilidades, geraram muita coisa boa em você. como poderia ser diferente, você poderia mergulhar numa insatisfação total e voltar atrás.
Mas é isso, você conheceu um mundo novo, culturalmente, e se aproveitou disso com sabedoria.
Continue se lembrando sempre do que seus pais dizem. Eles são a melhor escola.
Texto lindo, como sempre, que me dá vontade de compartilhar.
Beijo!