Dia dedicado ao Hesse

domingo, 14 de julho de 2013

Uma das primeiras coisas que fiz quando cheguei aqui vou averiguar onde tinha uma casa do Hermann Hesse para visitação. Encontrei uma lá no sul da Alemanha, só que com datas muito específicas para visitação. Aí, numa dessas averiguadas no Meistre Google eis o que descubro: Hesse nasceu em Calw, uma cidade que é aqui do lado. Cerca de 45 minutos de ônibus.

Faz algumas semanas que estava pensando em ir lá num sábado mas, como foi devidamente registrado aqui, os últimos fins de semana foram meio tumultuados. Na segunda, pensei: é nesse fim de semana que vou!, na quarta olhei meu saldo no banco: 20 euros, dei adeus ao meu plano. Nem sei mais como, mas acabei tendo a ideia de averiguar se Calw ainda ficava na região de Stuttgart (aqui é tri barato viajar, há bilhetes pra andar por todo o estado, país ou região durante um dia por um preço bem acessível, ainda mais se for em várias pessoas - é sempre esses que eu e as gurias usamos, aí acabamos indo e voltando pagando 12, 13 euros pelos trens). Ficava, só que não tava no mapa. Na sexta fui averiguar quanto de fato sairia pra ir a Calw. Resultado: 4,90 pra ir; 4,90 pra voltar. Me restariam pouco mais de dez euros, sendo que cinco seriam investidos pra entrar no museu do Hesse. Calw, aí vou eu. 

Nesses passeios de fim de semana sempre acabo saindo tri cedo, justamente pra encontrar com as gurias e/ou por a viagem ser longa. Olhei os horários diretos pra Calw no sábado. Duas opções pra mim: 8h35 ou 10h35. Tinha que voltar no das 16h55 porque ia ficar de baby sitter. Minha intenção era ir no mais cedo, por mera garantia, mas a Gastmutter disse que não precisava, a cidade não era tão grande, cinco horas lá eram mais do que suficientes. No fim das contas, fui no das 10h35 (que chegou 5 minutos atrasado) e voltei no das 14h55 (que era o último antes das 16h55), já que tinha visto tudo e o calor tava danado. Mas vamos aos fatos. 

No site de Calw tem uma página só com pontos a serem visitados por fãs do Hesse: casa onde nasceu, rua onde a família materna morou, escola de latim, pontos citados em livros e tudo mais. Fiz minha listinha, cheguei lá, catei um mapa no ponto de informações e saí andando. Agora não há muito mais o que dizer, vou só me dedicar mais nas legendas do que nos últimos posts:

Primeira coisa que vejo: registro do show do Udo lá. 
Lembram que disse que comprei em Dresden um livro do Udo em que ele selecionou os textos favoritos dele do Hesse? Bom, na apresentação do livro ele diz que ir a Calw e fazer um show diante da casa em que o Hesse nasceu foi um momento mais do que especial pra ele. Só não senti o ar de cidade industrial que senti em Dortmund por exemplo, mas enfim.

O Nagold, o rio que atravessa Calw. 

Knalp, personagem de Hesse que representa os cidadãos de Calw


Local Hermann Hesse

Com fonte dele e tudo mais.

Capela São Nicolau, na entrada da ponte em que... 

... o Hesse está. 

"Wenn ich jetzt wieder einmal nach Calw komme, bleibe ich lang auf der Brücke stehen. Das ist mir der liebste Platz im Städchen."
"Se eu voltar a Calw, ficarei muito tempo sobre a ponte. É o meu lugar preferido na cidade." 
(Hermann Hesse)
Como resistir a tirar uma foto assim, né?
Metzgergasse, rua em que a família materna do Hesse
morou entre 1859 e 1862.

Área do mercado municipal, onde fica a casa em que Hesse nasceu

Placa em homenagem à mãe do Hesse, que era
missionária e a primeira professora da região


Nesta casa nasceu Hermann Hesse em 2/07/1877

A casa em que o Hesse nasceu - e ainda é só casa.



A gigantesca igreja evangélica da cidade.

Prédio onde fica o museu do Hermann Hesse
Agora vamos começar com as fotos do museu. Devo iniciar registrando que a querida da mulher do caixa me deixou pagar entrada de estudante (dois euros a mais no bolso). Ela me pediu se eu era estudante, disse que não, ela ficou me olhando, disse que era au pair. "Ah, Au Pair, paga como estudante e pronto." Pediu como eu me sentia na Alemanha, de onde eu vinha. Quando eu disse que os alemães eram simpáticos, me olhou com cara de descrente como se eu estivesse só querendo fazer média. Mas ok, ela não foi a primeira e nem vai ser a última a reagir assim.

Fiquei mais de hora no museu, li os cartazes centrais sobre a vida do Hesse, mas nas salas, não li tanto (era em alemão, gente, considerem isso). As fotos gigantescas dele sempre me lembravam alguém, só agora é que descobri quem: Erico Veríssimo. Não me perguntem porquê. Se era minha nóia por Floriano Cambará falando alto ou pela simplicidade que se percebe nos dois nessas fotos. Escritores geniais que sorriam timidamente para câmeras (se sorriam).

Hesse casou três vezes. Descobri que a casa que pretendia visitar no sul da Alemanha foi casa dele por uns três anos com a primeira esposa. Outra das minhas descobertas no museu foi que, na primeira guerra, Hesse abrigava em sua casa outros autores que poderiam ser perseguidos pelo regime, como Thomas Mann (que eu ainda tenho que ler). Sem falar que o Hesse teve um chamego com a psicanálise e conheceu o Jung. Enfim, descobri muita coisa. 

Hesse e a filha em Calw






Li todos esses cartazes da entrada

As escadarias que levam ao museu



Os pais do Hesse eram missioneiros, eis parte dos seus livros.

Manuscrito do Hesse

Hermann Gundert, ponte entre a Europa e a Índia.

Isso aí, o vô materno do Hesse é tri importante também. 

Livros do Hesse em várias línguas pros visitantes lerem.

Poemas do Hesse para serem ouvidos...

Edições dos livros do Hesse em várias línguas. 

Hesse se correspondia com muita gente. Importantes...

... e fãs.

O Hesse fazia questão de responder todos os leitores que lhe escreviam e era sempre gentil. Nas que estão expostas, li inícios assim: "Primeiramente, obrigado por sua gentil carta..." Imagina receber uma carta do Hesse! E há muitos livros com as correspondências dele. Com as cartas dele pros fãs e com a correspondência com outros nomes importantes. Fiquei morrendo de vontade pra ler a correspondência dele com o Thomas Mann.

Objetos da mesa do escritório dele em Montagnola.

Ah, sim, os livros em português que achei por lá.



Tenho uma edição mais bonita d'O Livro das Fábulas, né,
dona Alynne?





Hesse e sua publicação independente pra distribuir.

Vida escolar.

Dos primeiros manuscritos, com SEIS anos.

Foto antiga da área do mercado mostrando a casa dos Hesse.

Percepção de Calw nos escritos de Hermann

Ida pra Tübingen pra estudar.

Ele andou pela Itália também!

Hesse foi jovem, afinal. 18 anos.

Das fotos que me lembram o Veríssimo.




Quando ele começou a pintar.









Cadeira do escritório dele em Montagnola. Resisti a sentar.


Minha tentativa de tirar uma foto com ele.


Do lado da igreja.

Antiga escola de Latim - que o Hesse frequentou. 

Muito difícil pra tradução rápida e tô com preguiça agora.

Queria ter ido aí, mas era na cidade vizinha.

Palais Vischer


Na garagem do palácio...


Se entendi bem o que diz no site, nessa fonte o Hesse,
quando criança, pegava água potável para a família. 


Primeiro local da biblioteca municipal. Hesse deve ter ido ai..

Uma das turmas de latim do Hesse tinha aulas aqui. 

Casa dos Hesse entre 1889 e 1893. Ao lado, Andreä Haus,
ponto importante da cidade.

Família materna do Hesse morou aí de 1862 a 1893.
A casa onde tinha a biblioteca do avô que Hesse adorava.

Casas onde Hesse trabalhou como aprendiz de mecânico.
Bonito, hein?

Pra ti, aí, que tá achando que não conhece Hermann Hesse, ele é autor de livros com O Lobo da Estepe e Sidarta. Ainda não conhece? Bom, então tu conhece ao menos uma das inúmeras influências dele pelo mundo. Ouça essa:


Identificou? Pois repare no nome da banda: Steppenwolf, ou, em bom português, lobo da estepe. Referência ao livro do Hesse, claro. Isso sem falar nas músicas do Udo, no poema do Hesse que o Die Toten Hosen musicou e tudo mais que eu desconheço. Não foi à toa que o Hermann Hesse ganhou o Prêmio Nobel da Literatura, amigos. 

Enfim, era isso. Vamos ver se voltamos aos posts tediosos, agora que estou realmente falida. 

Bis bald!

Lembram dos meus cálculos econômicos? Bom, tomei um sorvete em Calw: 1,80. Cheguei em Böblingen morrendo de sede, contei o que me restava: 3, 54. Olhei pra sorveteria mais perto: Milchmix (ou Milkshake) 3,20. Pedi um. Aqui ou pra levar? Já estava adiantada mesmo. Aqui. Na hora de pagar: 3,70. Por quê? Porque tu pediu pra tomar aqui., me dá mais trabalho. Contou minhas moedas em italiano. Fiquei devendo 20 centavos. Malditos italianos. E eu achando que os de Caxias que eram danados. Imagina se eles descobrem essa de aumentar o preço se o cliente não pede pra levar? putamerda

8 comentários:

Buffon disse...

Problema resolvido! Agora você tem um comentário.

Aliás, lindas fotos.

Anderson Kravczyk disse...

Bah, muito tri mesmo. Esse cara é talvez o único que conseguiu descrever muitas coisas das quais eu sinto, e talvez de muitos outros lobos pelo mundo afora.

Danke, por compartilhar isso tudo :)

Mia Sodré disse...

Algumas observações:
a) Você está tão linda nas fotos!
b) A casa me lembrou a Casa de Cultura Mario Quintana, que fica aqui em PoA. :)
c) Thomas Mann é um ótimo escritor. Leia-o.
d) As pessoas realmente duvidam da simpatia alemã? hahaha

Lúcia Soares disse...

Ana, mais um post sensacional.
Você é ótima, leve, escreve bem, fotografa bem.
Li O lobo da estepe, mas há tantos anos que nem sei mais...E Sidarta, tenho dúvida, mas acho que li, tb.
Gostei demais de tudo que postou, as fotos falam por si.
Passear por essas cidadezinhas, com você, me faz um bem enorme. Que lugares lindos, construções sólidas, difícil imaginar o que passaram nas guerras.
O engraçado é ler você contando seu dinheiro! Ainda vai rir demais dessa "pobreza" daí. rs
Beijo!

Pandora disse...

Esse seu post me deu vontade de incluir: "Visitar Lisboa" entre meus sonhos para os 40 anos, me deu vontade de conhecer o lugar onde Fernando Pessoa viveu, o "Tejo, ancestral e mudo" do qual ele falou e coisas assim... Deve ser fora do normal a alegria de visitar e pisar no chão que um autor querido pisou... eu senti algo assim em Teresina, mas depois a felicidade se dissipou em meio a outros acontecimentos... só conseguir relembrar o quanto foi bom ver o céu que Ulisses Tavares viu depois que vi e li algumas experiencias tuas!

Adorei o post Ana!

Pandora disse...

Ulisses Tavares não Orlando Rego de Carvalho... Confundi com o nome do livro dele que mais gosto "Ulisses entre o amor e a morte"

Erica Ferro disse...

Ai, cara! Adoro esses posts nos quais você conta das suas andanças pela Alemanha. É tudo tão explicado de maneira simples. É como ir a Alemanha sem sair de casa, hahahaha. Se bem que nada se compara a pisar nos locais, conhecer o clima, sentir o vento da cidade, poder ver de perto todas essas coisas. Mas, pra quem não pode ainda, é um grande consolo, hahahaha.
Eu adorei muito as fotos (já tinha visto umas no Facebook). Adoro museus. Ainda mais visitar um museu de um cara que você admira (o seu caso). Deve ser impagável!

Preciso ler "Demian", porque me encantei com as passagens que você postou no seu mural na época em que leu o livro.

Demorei, mas consegui ler o post.

;)

P.s.: Hesse era um gato aos 18 anos, hein? hahaha

Tailany Costa disse...

Eu comprei "O lobo da estepe" e tô esperando chegar, começarei por ele a conhecer o Hesse...e achei essa cidade dele muito linda e as fotos, nossa! Você é mesmo muito sortuda de ter ido aí!
Beijos!

www.despindoestorias.com