Sombra, futebol e cerveja

terça-feira, 30 de julho de 2013

Essas são as palavras que sintetizam minha passagem por München. Munique, em bom português. Meu último passeio com a Mayara teve ida e volta de carro. Ida tagarelando com ela no banco traseiro. Volta sendo incapaz de manter uma conversa com o motorista no banco do carona enquanto a Mayara dormia no banco de trás. Realmente esse negócio de mitfahren não é comigo, além de não ser chegada a carros, odeio a situação de tentar manter uma conversação com um desconhecido. Não, eu também não sei porque faço Jornalismo. Devia mesmo ir pra Matemática. Aliás, nem minha cabeça-cheia-de-cálculos-que-me-deixa-mão-de-vaca me faz simpatizar com a ideia de me apegar ao mitfahren. Desculpa.

Mas enfim, fomos a Munique e tivemos belíssimas anfitriãs (não só por serem gaúchas e terem fotos com camisetas do Grêmio por todo lado). Chegamos lá pouco antes das 21h na sexta-feira. Fomos direto pra casa da Tamara, que também é au pair aqui, e a mãe dela tinha feito uma massa tri boa com azeitonas e tudo mais. Pós-janta, começamos a falar no que faríamos no dia seguinte. A Tamara ia ter uma apresentação e não ia poder passar o sábado com nós. Vimos qual era a rota a seguir pra chegar no Allianz Arena (cuja linha de trem estava em obras, mas aqui é a Alemanha, claro que havia um ônibus para fazer o percurso e que tudo estava tão bem sinalizado que tornou inúteis as horas que passamos tentando descobrir o que fazer) e descobrimos que de noite teria um show da Nena por 20 euros ali perto e, em seguida, o maior show de fogos de artifícios da Alemanha.

Entrei em surto quando soube do show da Nena. Tava há dias me remoendo por não ter providenciado um ingresso pra um show dela mas, bah, mais de 60 euros! Ela deve ser de ouro. Ok, vai ter show de graça dela na Brandemburg Tor em Berlin, junto com um do Die Prinzen, mas já paguei uma fortuna pelo show deles e ir a Berlin é uma nota. Sem falar que, como a Gastmutter e meu pai fizeram questão de jogar na minha cara, a Europa inteira vai estar lá e eu pouco verei. Enfim, esse show em Munique foi uma luz no fim do túnel. Até me propus a pagar pra falida Mayara. Bah, 40 pila, ainda tava no lucro, mas aí o papo de serem esperadas mais de 50 mil pessoas me assustou. Será que eu vou sobreviver no do Die Toten Hosen?

Quando saímos no outro dia, depois de uma noite tri quente que me fez lembrar de Caxias no verão - mais especificamente do meu quarto-sauna, o show da Nena era algo indefinido e os fogos de artifício era algo a ser pensado mais tarde. A primeira parada foi a Allianz Arena, onde encontramos um iraquiano que queria nos fotografar em troca de fotografarmos ele, fizemos o tour pelo estádio, gastei um horror numa camiseta do Schweinsteiger e, consequentemente, me prometi eliminar viagens pensadas para os próximos dias. 

Primeira visão do estádio.

Eu fui no Allianz Arena lero-lero. 


Enquanto esperamos o tour, uma foto com os jogadores cervejeiros.


Vestiários.



Oi, Schweinsteiger



Eu tenho uma camiseta escrita "Schweinsteiger" lero-lero

Beckenbauer 

Porque eu tinha que registrar que eu tava na Allianz de novo.

Saímos da Allianz com a Mayara deprimida porque não tinha tomado uma cerveja naquele dia. (Quando chegamos, a mãe da Tamara nos cedeu uma cerveja.) Munique sem cerveja, não é Munique. Fomos para o Marienplatz: averiguar a prefeitura, a Frauenkirche, catar comida e cerveja. Conseguimos os três primeiros, não o último item da lista. Fomos até a Hauptbahnhof (Estação Central de Trem) pra matar a sede e nos dirigimos a outra região para ver o rio Isar (a praia do pessoal de lá) e o gigantesco Deusches Museum, que já estava fechado. Na volta... bom, mais fotos enquanto penso o que posso contar aqui sem me processarem ou comprometer minha própria imagem.

A prefeitura miserável

Museu de jogos. 


A prefeitura miserável.


Uma banda diferente no festival de vegetarianos.

Uma banda típica escondida entre os prédios.

Frauenkirche no fundo. 



Miniatura da Frauenkirche.


Jornalista e escritor que desconheço e cujo nome esqueci

Deutsches Museu



O Isar.

Igreja que achamos perdida nas esquinas de Munique


Na volta da igreja, indo por caminhos bonitos, a Mayara avistou uma loja de bebidas. Segunda cerveja comprada. Sentamos no banco em frente. O cara que tava do lado puxou papo. Explicou que não tínhamos comprado a cerveja que todo o povo de Munique bebe. Compramos a terceira. E... bom, aconteceu tanta coisa que perdemos as contas. As contas, a Nena e os fogos de artifício.

A Tamara ligou assim que se livrou do seu compromisso e teve que nos catar pelas ruas de Munique. A Mayara jurava que sabíamos onde estávamos. Eu admito que me perdi na volta da Igreja com essa de vir por outro caminho. (Sem falar que as ruas de Böblingen me ensinaram a não confiar no meu senso de direção, como vocês sabem.) Ah, é, quando o pessoal reparou na minha sacola do Bayern e eu mostrei minha linda camiseta, me disseram que o Schweinsteiger vai sempre lá, já que a namorada dele mora perto.

Enfim, pra resumir, voltamos pra casa umas 4h e pouco e cada uma esqueceu um pedaço da história. Tipo, eu não sei exatamente em qual momento soquei minha camiseta na bolsa junto com a sacola com medo de perder ou me surrupiarem no meio do caminho. E as gurias... ah, melhor deixar quieto pra não comprometer ninguém nem ser processada. Tudo que eu digo é: foi uma noite bizarramente divertida. Encontramos até outros brasileiros nesses vai-e-vens noturnos.

Eu acordei, creiam ou não, às 8h. Tomei banho e acordei a Mayara. Ela não gostou muito. Achou uma "falta de respeito" e me xingou por não estar de ressaca. Mas como sou legal, deixei ela dormir mais uma hora depois.

Ao meio-dia nos mandamos para o Englisch Garten, ou Jardim Inglês. Ficamos atiradas lá até pouco depois das 16h. A Tainá, irmã da Tamara, nos encontrou lá, e elas ainda convidaram um brasileiro que reconheceu a bela camisa da Tainá pra sentar com a gente. Ele mora desde criança lá e conhece todos os jogadores brasileiros que já passaram pelo Bayern. Zé Roberto? Amigo chegado, por isso ele reconheceu a camiseta. Como diria a minha mãe: Isso, humilha!

Resolvemos ir comer algo. No caminho, enquanto a Tamara e a Mayara andavam no passo de tartaruga, a Tainá, que mora e estuda na Alemanha há 3 anos com a mãe, foi me contando um pouco da história de Munique, me mostrando os lugares. Comemos e tivemos mais um passeio guiado pela senhorita Tainá. Sem cerveja.


Eu não devia ter atravessado a rua.

"Água gelada!"

"Agora vamos tirar a foto pra colocar a música
do Nei Van Soria de legenda"

"Olha pra câmera então!" "Ah, sim!"

"E agora faz uma pose."


Teatro.

Residência dos reis.

Rei Maximilliam





Tainá com a camiseta mais bonita de todas =)
Depois de tirar essa última e bela foto, eu e a Mayara fomos encontrar nosso mitfahr. Em meia hora de viagem, chegou a chuva, a ventania. Quando desembarquei me Böblingen tava caindo uns pingos, depois começou a chover forte. E tava metade da temperatura de Munique. Cheguei em casa e não tomei banho, fui ouvir o jogo. Resultado: gripe desgraçada. Espero sobreviver.

Ah, sim, das coisas que eu não registrei aqui. Não, não tô escondendo um alemão no bolso. Desiludam-se. Meus pais vão vir pra cá por uma semana. Sei lá porque não comentei isso antes. Vamos passar a maior parte do tempo em Berlin, conhecer a família e coisa e tal. Eles chegam terça da semana que vem e ficam até dia 14. Se eu sumir não estranhem.

E hoje chegou uma carta da Alynne que me fez voltar a ter alguma esperança nos correios. Veremos.

Bis bald!

6 comentários:

Tamara Luersen disse...

Ana! Adorei, sério! Vou o post super esclarecedor que eu merecia, e creio eu sem processos. Concordo com a noite bizarramente-divertida..hauahauahu..
Foi ótimo ter vocês aqui! :)
beijo

Mayara Gonçalves disse...

Olha ri litros com o seu post sincero. Adoro sua sinceridade. Adorei estar com vocês, de verdade! Obrigada pelas omissões ! ;)o/

Dayane Pereira disse...

Essa prefeitura é mesmo muito miserável! Que dó"
E essa banda "veganmania", é brasileira? heueheuh
Bem, se fosse eu por aí de au pair com vcs,. não aguentaria tantos passeios (ou talvez sim afinal, tem mesmo que aproveitar), mas sou devagar demais. E cerveja nem pensar, não é comigo, só se tiver muuuita sede e nem agua nem refri por perto :P
A última foto esta muito bonita mesmo.
E que bom que seus pais vão te visitar, será bom matar um pouco da saudade.

Pandora disse...

Em sintese, meu primo se chama Beckenbauer em homenagem ao Beckenbauer (como o nome aos ouvidos nordestinos soa como nome de maloquero)preciso mostrar esse post a ele para que ele!!!

Pandora disse...

A proposito, adorei o post!!!

Alê Lemos disse...

Também não curto muito ficar procurando assunto para falar com estranhos. às vezes até falo, ms só qdo a pessoa é legal e um assunto leva ao outro. Achei engraçado vc falar que a prefeitura era miserável. achei tão requintada! kkkk