Meus últimos centavos

quinta-feira, 17 de outubro de 2013



Depois de ter dedicado o início de setembro à música e o fim dele à cerveja, meus últimos centavos antes do salário de outubro foram dedicados em livros. Há pouco mais de duas semanas, duas pessoas me falaram do novo livro da Christiane F.: "Minha segunda vida", onde ela conta como foram os anos depois dos depoimentos dados aos jornalistas que publicaram o livro da década de 70. Sim, é em alemão e minha mãe não vai poder ler, o que é triste, mas azar. Por pouco não consegui a edição de fã autografada! Agora é só criar vergonha e ler.


O livro chegou no sábado e no domingo fui na Feira do Livro de Frankfurt com meros 30 euros no bolso (dinheiro que eu tinha só porque a Gastmutter me reembolsou pela excursão à Feira, já que eu trabalhei o dia todo de babá no sábado). O que dizer? Aquilo é enorme! Minha primeira parada foi na conversa sobre os quadrinhos brasileiros, onde os principais convidados eram Maurício de Sousa e Ziraldo, mas esse último acabou não indo por ter passado mal uns dias antes. Mas o que importa é que eu conheci o Maurício de Sousa, tirei uma foto com ele e tenho um autógrafo num panfleto de divulgação de "Pelezinho" em alemão. 



O debate foi muito legal, no geral. O Maurício contou como começou com os quadrinhos; como foi parar na lista negra dos jornais paulistas por fazer parte e ser presidente de uma espécie de sindicado dos quadrinistas antes da Ditadura; e como foi sabotado na Alemanha nos anos 80 por grandes distribuidoras que tinham receio que ele invadisse o mercado por aqui (tal como disse que quis comprar os gibis de um alemão que foi pedir para autografá-los e ouviu uma recusa por ser lembrança de infância). 

Do público destaco dois papos que achei absurdo: um guri pedindo de onde veio a inspiração pros personagens e dizendo que não lia muito gibis (como disse o Maurício "percebe-se que tu tá chegando agora" porque quem não sabe da inspiração nos filhos?); e uma guria agradecendo por a personagem principal ser uma menina e ela ser forte e tal (comentário que, segundo o Maurício, ele ouviu pela primeira vez) - quer dizer, são histórias infantis, vir com papo feminista pra cima disso, aliás, isso devia ser visto como natural, afinal, por que não uma personagem menina? O que há de especial nisso? Enfim. Também perguntaram se há mulheres quadrinistas e eles disseram que falta iniciativa das mulheres, não espaço. O Maurício também disse que as melhores desenhistas dele são mulheres. 

Da parte do mediador, ele tentou tornar a discussão mais pesada duas vezes. A primeira quando Lourenço Mutarelli disse que fazer quadrinhos foi terapêutico pra ele em certa fase da vida e o mediador quis saber porquê e insistiu até que ele dissesse "há mais gente aqui com coisa mais alegre pra falar". A segunda foi ao pedir pra todos de onde vinha a ironia dos quadrinhos brasileiros, se era pela violência, mas um simples "não" geral bastou.

Mas o legal mesmo foi conhecer os outros quadrinistas, aliás, até tive uma certa vergonha por não conhecê-los (ou pelo menos achar que não, no caso do Fernando Gonsales, autor de Níquel Náusea). Vamos às fotos:




Moderador alemão, Mutarelli e os gêmeos Bá e Moon

Maurício, Gonsales e Lelis (não sei quem é aquele outro cara)











Depois do papo, fui dar uma volta no resto: muita gente. Fui na área de publicações internacionais, nas nacionais (no caso, livros em alemão), na área de Comics  e coisa e tal. Haviam muitos Cosplays no pátio, fui procurar um de Dragon Ball e não achei. Achei Os Caça-Fantasmas, achei o Naruto e a Raposa de Nove Caudas e um monte de Cosplays que não reconheci. No pátio tinha uma área pra leitura, com almofadões e redes. Ah, e tinha um restaurante brasileiro vendendo pão de queijo! Pude matar a minha vontade! E vendiam também, sem vergonha na cara, Brahma como "cerveja brasileira". Depois os alemães tem uma má imagem do Brasil e não sabem porquê, mas ok, podia ter sido pior, podia ter sido Skol.

nham nham


Mangás e mais mangás




"Who you gonna call? Ghostbusters!"


Sou mais do Batman, mas tava bonito o Clark

Poirot!

Animês na área de Comics









O que eu comprei por lá? Não muito. Algo pra comer, um mangá do Dragon Ball (que eu comecei a ler lá mesmo, já que sai cedo pra garantir não perder o ônibus e pela falência) - é tão lindo que quero comprar todos, um mangá que tinham me encomendado e dois postais com frases: uma do Einstein e outra do Hemingway. Ah, e dois pôsters (os maiores investimentos): um do Dragon Ball pra mim e um d'O Senhor dos Anéis pro meu pai (mas não contem pra ele, é presente de natal). Ah, pra finalizar, dois "amigos" que encontrei lá: 

"Eu me escrevi um lobo." (Hermann Hesse)

"Eu fiz suspense." (Agatha Christie)


Agora estou contando quantos fins de semana me restam e, especialmente, quanto dinheiro. Vamos ver o quanto consigo aproveitar - se esse maldito inverno alemão com suas casas aquecidas me deixar não ficar doente até o fim do ano com esse entra e sai que o trabalho me exige. Sim, os últimos meses foram turbulentos por aqui, mas prometo voltar com posts tranquilos sobre a cultura alemã!

Bis bald!

4 comentários:

Pandora disse...

Gente que sonho!!! Adorei Ana!!!

Tita disse...

Nossa! muito muito muito bom!
Valeu pelos detalhes e fotos sensacionais.
O debate com os quadrinistas brasileiros mostra o quanto temos tesouros desconhecidos do mundo. O Maurício é um gênio!

Lane Lee disse...

Puxa vida, que legal, Ana! Adorei o post, gosto do modo como descreve as coisas sem cansaços! Ah, amo o Maurício ! É mesmo um gênio como disse a Tita ^.^

Alê Lemos disse...

Eu nunca havia pensado nisso de questão de gênero na turma da Mônica, mas achei genial. Afinal quantas heroinas vc conhece que são totalmente independentes dos seus pares românticos? Só consigo me lembrar da Xena. Sabe que eu gostava mt de Níquel Nausea? Só não sabia quem era seu autor. E por ultimo, vc devia estar com muita saudade de pão de queijo pq esse aí tá parecendo bem borrachudo. Beijos!