"Passa, tempo, tic-tac"

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Anteontem começou a contagem regressiva de dois meses pra embarcar pro Brasil, ontem começou a contagem regressiva de dois meses pra chegar no Brasil, em cerca de 12 horas começo minha última grande viagem por aqui (Düsseldorf, Castelo Drachenburg e Bonn) e ainda não falei do meu passeio de quatro dias atrás. Enquanto a blogosfera me cobra dívidas, o calendário e o relógio me olham torto. Melhor dar notícias antes que alguém ache que eu morri ou que resolvi viver como indigente por aqui. 

Apesar de saber que foi celebrado o centenário do Vinícius de Moraes esses dias, o título veio mesmo da consciência culpada, que quando se vê atrasada começa a ouvir os tic-tacs do poeta na cabeça.

Vamos começar do início que é melhor. Há muito tempo atrás, acho que logo que cheguei aqui, o Lucas Armiliato me disse: "Não deixa de ir no Castelo Lichtenstein, o castelo dos contos de fada". Devo dizer que até então nunca tinha ouvido falar e, apesar de ser aqui do lado, fiquei me enrolando a valer pra ir. Até que tive a genial ideia de convidar as au pairs do encontro de Au Pair em Stuttgart, em maioria novas por aqui. Acho que foi meu inconsciente consciente que resolveu repassar todas as gentilezas que os alemães me fizeram por aqui, sem contar que era unir o útil ao agradável. 

Antes que comece a ter confusão: o Castelo Lichtenstein fica na Alemanha, nos alpes de Baden-Württemberg, e não tem relação alguma com o país Lichtenstein (pelo menos até onde eu sei). É conhecido por castelo dos contos de fadas porque o duque que o reconstruiu (antes disso ele havia sido construído por reis e destruído duas vezes em guerras) se baseou em um livro chamado Lichtenstein. Ou ao menos é isso que eu li por ai (e entendi). Mais fotos e informações no site. 

Enfim, mandei o convite pra todas as gurias (depois de uma interminável troca de e-mails com a responsável por nossos encontros em busca de e-mails e nomes de quem estava da última vez que fui lá) e umas quatro ou cinco me responderam. Até uma au pair que nem sei quem é ou como soube do passeio entrou em contato. Acabamos em seis, já que foi uma colega de curso da Cândida e teve gente que não apareceu ou desistiu de última hora. 

Pra chegar lá não me bastou só usar o site dos trens alemães, tive que também acessar o Google Maps, já que  a região ali é cheia de cidades pequenas e não há nenhuma chamada Lichtenstein. Enfim, receosa fiz minhas anotações e fomos. Chegamos na nossa estação de destino e vimos o castelo láááá em cima. Bom, o castelo estava lá, já era algo. Mas como chegar? Pedimos informação a um casal que desceu com nós do ônibus e, apesar de conhecerem o lugar, não moravam ali. O senhor se jogou na frente do primeiro carro que viu para pedir informação. Ah, não estávamos sós, haviam um rapaz e duas gurias querendo chegar lá em cima. 

Informações recebidas, fomos à procura. O guri assumiu o comando e, de primeira, acertamos, mas acabamos andando à toa até achar a trilha pela floresta. E que trilha. Justa, cheia de folhas impedindo-nos de ver pedras soltas, ingrime... Demoramos uma hora pra subir, creio, cem metros. A amiga da Cândida provavelmente nos odiou por temos metido-a nisso. Bom, talvez não tenha sido só ela. Foi dramático, suado e ofegante, mas acabamos no topo. Antes de ir pro castelo, paramos para beber algo no restaurante e sentar. Eu mentalmente só agradecia o milagre de ninguém ter quebrado o pé, rolado morro abaixo ou quebrado o pescoço de alguma forma. Definitivamente meu mal estar nos dias que antecederam domingo foi à toa. 

Enquanto estávamos sentadas, eu via o vento forte empurrando as folhas do chão de lá pra cá. E um ventinho danado de frio. Estávamos a mais de 800 metros de altura do nível do mar, afinal. Quando fomos em direção ao castelo, vimos o céu, até então azul, escurecer. A chuva nos pegou enquanto esperávamos pra fazer a visita e eu agradeci de novo por ela não ter nos alcançado no mato. 

Fizemos a visita e mal entendemos o que o guia disse. Se a paisagem lá em cima e o castelo são lindos, além do acesso, o pessoal de lá também deixa um pouco a desejar. Acho que é um castelo ao qual não é dada muita atenção - o que faz com que eu me pergunte onde e como o Lucas ouviu falar dele. Aliás, devo dizer que a subida me fez lançar muitos resmungos mentais ao meu caro amigo e colega, mas deixemos quieto. 

Saímos do castelo e a chuva tinha ido embora, mas o vento frio continuava e - com o fim do horário de verão - o fim do dia já dava sinais às 16h. Compramos alguns postais e fomos perguntar um caminho mais fácil pra onde devíamos ir. Não tinha. Quer dizer, tinha, mas tínhamos que ir por um outro mato e, bom, preferimos o que já conhecíamos. Começamos a descer umas 16h. Minhas anotações de volta tinham um ônibus às 16h35 e outro às 17h e alguma coisa. Creiam ou não, pegamos a primeira opção.

A decida foi assustadoramente (no sentido literal) rápida. Não havia como ir devagar, mas a minha atenção (eu estava na frente - perdemos os três que nos acompanhavam na subida, eles estavam na nossa frente e o guri não cansava nunca) estava redobrada, já que agora as folhas estavam molhadas. Na reta final, levei uns sustos olhando pra trás e não vendo todas as gurias que devia ver, mas com uma corrida final deu tudo certo e pegamos o ônibus. 

O trem que pegamos em seguida atrasou e estava superlotado. Acabamos sentadas no fim do vagão contando os segundos pra chegar em Stuttgart. Depois de tanta energia gasta e sorte (porque tinha tanta coisa que podia dar absurdamente errado e não deu), precisávamos de uma cerveja. Tomamos uma lá, correndo pra pegar o trem pra Böblingen, e, chegando aqui, eu encontrei com a Luci e fomos no bar tomar outra. 

Foi um dia inacreditável. Inacreditável mesmo. Estou ainda surpresa com a minha sorte. 


Roubei a foto da Cândida




Não, nós não tivemos que andar por cima da árvore.



Eram 2 km de trilha.
O restaurante

Olhando em direção ao castelo

Olhando pro restaurante - repare o céu

O castelo







Nosso ônibus passava por essa avenida.

Veja a floresta que encaramos




Na primeira foto eu tava comendo cabelo,
essa é a segunda e na terceira tô de olho fechado.










Anna alguma coisa. Só por isso bati a foto.



No trem. 

Em Stuttgart comprando Stuttgarter. 

Prost!
E o tempo continua voando. Enquanto colocava as fotos aqui, fiquei sabendo que ia pra rua junto com a Gastmutter, os dois guris mais novos e amigos pra dizer "Gostosuras ou travessuras" nas portas alheias. Apesar do dia ter sido de sol, tava frio. Uma hora e meia caminhando. Alguns dirão: "Que legal! Halloween!" e eu vou me limitar a dizer que nunca tive curiosidade nenhuma sobre isso e que atrasar minhas organizações pra viagem de amanhã não foi o negócio mais legal da minha vida. Mas ok, ainda me restam 9 horas antes de iniciar a viagem - com sorte dá pra tomar banho e dormir um pouco. Vou tentar lembrar de colocar coisas na mochila também. 

Mas enfim, volto em algum dia da semana que vem pra contar como foi o fim de semana. 

Bis bald!

Ah, ainda em tempo: tem muita gente que lê meu blog e eu não faço ideia - provavelmente só vou descobrir quem são quando eu voltar e não contar nenhuma novidade ou quando me perguntarem as partes censuradas de Munique. De qualquer modo, vez ou outra minha mãe me diz que encontra amigas que sabem tudo que tá acontecendo comigo (provavelmente mais que ela), leem tudo, e uma delas é a Cecília. Ainda na sexta passada fui intimada a parabenizar pelo aniversário de sábado, mas como só criei vergonha de escrever no blog agora... Resumindo: Parabéns, Cecília! E muito obrigada pela amizade de sempre com a mãe! Tudo de melhor sempre!

2 comentários:

Mylla Alynne More disse...

que castelo mais lindo! Até o caminho pra ele é lindo, mesmo sendo quase um caminho da morte kkkk

Allyne Araújo disse...

Mais cedo, eu me fazia essa pergunta: Será q esse castelo é o mesmo q eles retratam nos contos de fadas? Bom, pode até não ser ele, exatamente, mas que é bonito isso é! É muita adrenalina e aventura pra um dia só, mas valeu apena, viu?! Adorei!!!!
P.s: Tu vais na Floresta Negra tb? bjo..
Foi só o aniversário da Cecília q vc esqueceu??