Na beira do Reno

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ok, sacaneei de novo esse blog. Não atualizei antes em função dos três motivos que seguem. 





(Essa é a música em que o Sebastian pediu um minuto de silêncio, como falei no post sobre o show do Die Prinzen)

...

O terceiro motivo, nas palavras do YouTube, está "bloqueado globalmente". Era o clipe "Fiasko" do Die Ärzte legendado, não entendi porque bloqueou, já que os outros foram liberados. Deixemos assim. Vamos de uma vez ao meu feriadão.

Pois é, aqui feriado de Finados é 1º de novembro, não me pergunte porquê, mas fiquei feliz, assim tive feriadão. Três semanas antes eu já estava convencida de que nunca iria a Bonn (cidade do Beethoven) e Düsseldorf (cidade do Die Toten Hosen), mas acabei averiguando, averiguando e quando vi tinha tudo programado. 

Minha intenção era viajar sozinha, como sempre, mas nesses meus meses de agitada vida social (novas au pairs e tal), convidei a Luci pra ir. Como era uma viagem relativamente cara - os hostels eram mais caros do que em outras cidades que fui - achei que ela não ia, mas foi. Devo dizer que foi um bocado estranho e que, ao mesmo tempo que me irritei às vezes por ela gostar de caminhar à toa - eu prefiro caminhar pra ver algo, não só por caminhar, especialmente não estando sozinha -, foi divertido ter alguém pra tirar fotos e acompanhar no cansativo caminho de volta - sem contar que eu já ficava meio neurótica se o caminho tava muito estranho e ela só dizia "vem". Enfim, foi uma experiência.

Saímos sexta às 5h da manhã de casa (ela é quase minha vizinha) rumo a Düsseldorf. Nosso caminho foi pela costa do Reno, ou seja, uma paisagem linda. E, de verdade, em 20 minutos vi mais castelos e ruínas deles do que achava possível existir em uma única região. Vimos até o Drachenburg, que seria nosso passeio no sábado. Chegamos lá pouco antes das 10h30 e o tempo não estava muito agradável - chuviscos eternos. Tivemos que ir atrás do ponto de informações turísticas mais no centro, já que o perto da estação estava fechado - feriado -, mas deu tudo certo. E eu, com um mapa na mão, fiquei feliz. 

Andamos por toda a Altstadt (nada mais do que Cidade Velha) que é a parte turística principal da cidade (que está comemorando 725 anos - uma miséria) e fica na beira do Reno. Realmente um lugar bonito. Descobrimos que Heinrich Heine nasceu lá. Quem é Heinrich Heine? Segue a troca de SMS's sobre com a minha mãe: 

"Estou em Düsseldorf e descobri que o escritor Heinrich Heine nasceu aqui!"
"O que ele escreveu? Acho que não conheço ele."
"Não sei o que ele escreveu, mas ele é tri famoso!"
Aí na segunda a Ana olha na Wikipédia e manda:
"O Heinrich Heine era poeta, por isso que não conhecemos ele. Mas ele é tri importante, o Machado de Assis não só o traduziu como se inspirou nele." (ok, olhando agora isso foi uma sms gigantescamente errado. O Machado era fã do Heine, mas quem se inspirou nele foi o Castro Alves (especificamente para escrever Navio Negreiro) e foram outros que o traduziram. Mas enfim, o Heine é importante e a falta de poesia na residência dos Seerig nos faz ignorar a existência dele - até agora.

O negócio é que com essa de eu ler um livro sobre escritores alemães, meu cérebro gravou o nome Heinrich Heine. Aliás, tudo na Altstadt tinha o nome dele no meio. Impressionante. 

Enfim, nesse dia gastamos mais do que devíamos com comida - mas ok, não se pode viver só de maçãs e chocolates. Fomos em um castelo que tem lá (onde a Luci quis dar a volta no parque inteiro - lembre que estávamos de mochila - a minha, pelo menos, estava pesada) e voltamos pra Altstadt pra tomar a cerveja que a Elsa (a sogra do eslovaco) me recomendou na sexta anterior, quando voltei a aparecer no bar, a Frankenheim Alt. Cerveja preta, mas boa.

Ah, nessas andanças pela Cidade Velha, ouvi muito, mas muito espanhol, e vi um ou outro restaurante brasileiro. Num deles encontrei com a (suposta) dona que estava varrendo a entrada. Ela ficou surpresa quando eu disse de onde eu vinha. "Você é bonita demais pra ser brasileira, parece mesmo alemã." Claro, sou igual uma alemã, só sem olho azul, sem cabelo claro e curto. Claro.

De lá fomos pro hostel - onde a Luci se apavorou com a possibilidade de dividirmos o quarto com estranhos - especialmente homens -, o que acabou não acontecendo. Chegamos umas 18h30 lá. Tomamos banho, conversamos um pouco e às 21h já estávamos dormindo. Seguem as fotos de Düsseldorf então. 

Hans Müller Schlösser, outro escritor nascido lá

Segundo a Luci, esse é tipo o amuleto de Düsseldorf.






Emblema central do Fortuna, time local.

Imagens como essa estão espalhados por toda a cidade

"Stadterhebungsmonument", bonito nome, hein?



A prefeitura.


A casa do carnaval

Onde o Heine nasceu.



"A cidade de Düsseldorf é muito bonita, e quando alguém à distância pensa nela e que por acaso nasceu lá, vem um esquisito mal estar. Eu nasci lá e se eu pudesse iria logo para casa. E quando eu falo em ir para casa, eu quero dizer a Rua Bolker (Bolkerstrasse) e a casa onde eu nasci." (Heinrich Heine)


Juro que li "Pastor João" - e faz tempo que não ouço Raul.


Na beira do Reno


VAI TER GREASE ANO QUE VEM NA ALEMANHA

A estação da Cidade Velha: Alameda Heinrich Heine.

O castelo Benrath.







Patos gigantes.


De costas pro castelo, olhando pro jardim.


De tocaia...

... me ouviu e voou. 



Normalmente sairia água da boca do... peixe?

Königsalle - Alameda do Rei



Mapa tátil da região.

Com nomes em libras e tudo mais.

Porque tem sempre que ter fotos de vespas aqui.

Tinham dois caras jogando bocha aí perto


Quase Copacabana.

Anoitecendo - e sem chuva.


Cerveja com bolo de maçã. Nada mais lógico.


No dia seguinte, pagamos 20 euros cada uma para andar em toda a região - e durante todo o dia ninguém nos pediu ele. A ideia era ir no Castelo Drachenburg e, de lá, pra Bonn. Mas como Colônia ficava no caminho, a Luci quis parar pra ver. Concordei, desde que fossemos só ver a catedral, que é o mais importante. Falei mil vezes pra ela que melhor é se organizar e ir lá no verão. Mas enfim, ela quis atravessar a ponte só pra tirar uma foto da catedral do outro lado do Reno. Me neguei a ir junto. Larguei a mochila e fiquei esperando. De boa, minha intenção era ver o castelo e não ia gastar energias só pra ir tirar uma foto do outro lado do Reno - que provavelmente existe em forma de postal e em melhor qualidade. Houve um pequeno atrito aí, já que a Luci achou que eu tava de má vontade e não sabia devidamente passear. Bom, pra quem não lembra eis o link que conta como eu quase me matei caminhando em Colônia. Mas enfim, o Drachenburg nos fez esquecer isso.

Em tradução literal, Drachenburg significa Castelo do Dragão. Ele fica na área conhecida como Drachenfelds, ou seja, Campos do Dragão, que tem esse nome porque, supostamente, um rei matou um dragão por lá. Além de se poder visitar o castelo em si, há um museu sobre a proteção natural. Só quando cheguei no hostel e li o panfleto é que entendi. Drachenfelds é a primeira área alemã que foi protegida por lei, depois de um baita esforço dos moradores de Königswinter, cidade em que fica o castelo. Construído entre 1882 e 1884, ao longo dos anos o castelo teve várias funções, incluindo escola e sanatório pra mulheres. Acho que o que explica eu nunca ter ouvido falar dele antes - agradecimentos ao facebook - é o fato dele ter sido aberto ao público muito recentemente. A reforma terminou em 2011. Ali perto tem uma ruína - não sei exatamente do quê, uma espécie de torre, acho - que também fomos visitar. Ah, naquele dia tinha gente casando no castelo - pobre, hein?

Enfim, Drachenburg é, sem dúvida, um dos lugares mais espetaculares que vi por aqui.









Vento!











Biblioteca



Sofá lindo!




Schiller

Heine - de novo, outra vez, novamente

Uhland



















Exposição sobre a história do castelo



Fotos da ruína me faltam porque a memória tava cheia e ainda não peguei as fotos da Luci, mas já deu pra ter uma ideia da vista do lugar, né? Voltamos pra Königswinter (e não encontramos as informações turísticas de jeito e maneira, por mais que estivéssemos na direção das placas - mas encontramos o castelo, isso que importa - e não foi tão difícil como o Lichtenstein) pra pegar o trem pra Bonn. Teríamos também que pegar um ônibus, já que o trem não ia até a estação central. (No outro dia acabamos andando na região em que pegamos o ônibus.) Quando finalmente chegamos no centro, tava uma chuva danada. Fizemos um tempo por lá e, quando acalmou, fomos à cata do hostel. Devo dizer que foi complicado achar, já que tinha uma bagunça danada na numeração, mas achamos. E se eu não levei um tombo no topo das ruínas, levei um descendo a rua pro hostel. Foi um tombo de bunda, mas de alguma maneira - não me perguntem como - meu joelho ficou duplo naquela noite e ainda tem uma marca roxa enorme. Coisas que só Ana Paula Seerig consegue. 

Só fomos visitar a cidade no outro dia - felizmente sem chuva e até com um pouco de sol. Encontramos um grupo de asiáticos (eles estão por tudo, sempre) na Casa do Beethoven - resolvemos voltar mais tarde; atravessamos a ponto do Reno porque a Luci queria ver uma igreja (fui porque o dia tava bom e eu de bom humor, porque, de verdade, não tenho mais vontade de ver igreja na Alemanha - há uma em cada esquina); descobrimos que TUDO funciona em Bonn no domingo - dos pontos turísticos às lojas de brinquedo; além de conhecer os lugares apontados pelo mapa turístico, fomos atrás da rota especial de Beethoven (casa onde a família morou, túmulo da mãe dele e etc e tal). Por mais que eu não seja apegada à música erudita, devo dizer que é incrível estar na cidade em que nasceu um cara de genialidade inquestionável. No museu tem muito da história dele e o quarto em que ele nasceu tem destaque - vazio, apenas com um busto dele. Infelizmente não se podia tirar fotos internas. Ah, quando comprei o ticket e disse que era brasileira, o cara começou a falar comigo em português - num sotaque forte, mas ainda assim achei muito querido da parte dele. Vamos às fotos, que esse post já tá longo (eu ia dividir em dois ou três, mas vocês sempre vem com essa de "tu escreve tão bem que a gente nem sente que é muito" que resolvi avacalhar com vocês):

Cidade linda

Beethoven no ponto de informações

Monumento a Beethoven

Sterntor, ou Porta da Estrela


Beethon - presente de Düsseldorf pra Bonn

Vento!

Reno!

Antiga prefeitura

Casa do Beethoven

Jardim da Casa





Vento!

Interior da Remigiuskirche

Aos dez anos, Beethoven tocou esse órgão nas
missas matinais - o teclado está na casa-museu hoje

Igreja de fora

Casa para onde a família de Beethoven se mudou
quando ele tinha 5 anos




Castelo, hoje universidade, em cuja igreja Beethoven
tocou quando criança

Haribo, bala clássica da Alemanha, vem de Bonn






Münsterbasilika


Pintura do outro lado da rua da casa do Beethoven

Alter Friedhof - Cemintério Antigo

Túmulo da mãe do Beethoven


"Aqui descansa a mãe de Beethoven: Maria Magadalena Beethoven. 
'Ela foi para mim uma mãe realmente amável, minha melhor amiga'"

A estação de Bonn



Essa placa explica o porquê das cabeças
na frente da igreja, mas eu não entendi.
Ufa. Era isso. Acho. Provavelmente ficou muita coisa de fora, mas agora parece que tá tudo aí. Passei o dia aqui escrevendo e carregando fotos. Ou quase. Espero que estejam todos felizes. Não sei se haverá post com tantas histórias como esse ainda aqui, meu tempo está acabando. Sem falar que essa viagem me custou caro, mas o quê não se faz por um feriadão de sossego e, especialmente, pra não deixar de ir nas cidades que eu tanto queria? E ainda me faltam dois estádios da Copa! E tenho uma mala pra consertar! E meu quarto tá uma zona! E tenho que... pela juba de Aslam, melhor nem começar a lista. Paremos aqui. 

Bis bald!

2 comentários:

Lúcia Soares disse...

Ana, encantada com as fotos. Todas, todas. Uma bagagem e tanto, a sua, culturalmente, né? Mesmo que seja "apenas" da Alemanha, mas vc realmente está sabendo aproveitar seu tempo aí.
A abóbada da Remigiuskirche lembrou-me uma igreja de BH, fui ao Google e a encontrei, embora não iguais, mas muito parecidas. Vou lhe mandar no FB.
Adorei seu relato, sempre muito bem feito.
Beijo!

O que tem na nossa estante disse...

Como assim ser bonita demais pra ser brasileira?As brasileiras não são as mais bonitas? kkkkkkk
Sabe, eu só aprendi apreciar a música clássica por eu amo Beethoven! Queria um dia poder conhecer a cidade dele tb! Mas por enquanto vou me satisfazer com as suas fotos, estão ótimas, TODAS!

Bjs, Mi